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Italiano construiu falso anfiteatro romano, cobra € 40 de turistas e acaba na prisão

Italiano construiu falso anfiteatro romano em Vicenza, cobrou até € 40 de turistas e conseguiu colocar a atração até em guia oficial.

O falso anfiteatro construído em Arcugnano, nas colinas de Vicenza, foi apresentado durante anos como uma antiga estrutura romana | Foto: Reprodução
O falso anfiteatro construído em Arcugnano, nas colinas de Vicenza, foi apresentado durante anos como uma antiga estrutura romana | Foto: Reprodução

Durante anos, turistas pagaram até 40 euros para visitar o que acreditavam ser um antigo sítio arqueológico nas colinas de Vicenza, no norte da Itália. O problema é que o suposto anfiteatro romano havia sido construído praticamente do zero, com materiais modernos.

O responsável pela atração, Franco Malosso, de 69 anos, também conhecido como Franco ou Franz von Rosenfranz, acabou condenado a dois anos e quatro meses de prisão por crimes relacionados à construção abusiva e à falsificação. Ele cumpre a pena em uma prisão na Ligúria desde janeiro deste ano.

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O complexo ficava em Arcugnano, nos Colli Berici, nos arredores de Vicenza, e era chamado de Anfiteatro Marittimo Berico ou Porto degli Angeli.

Malosso dizia que o sítio havia sido revelado depois de um deslizamento de terra e atribuía à área uma história que atravessava diferentes períodos, do Neolítico à Roma Antiga.

O falso anfiteatro construído em Arcugnano, nos arredores de Vicenza, após o abandono da atração | Foto: Stefano Maruzzo/Il Giornale di Vicenza
O falso anfiteatro construído em Arcugnano, nos arredores de Vicenza, após o abandono da atração | Foto: Stefano Maruzzo/Il Giornale di Vicenza

Júlio César, Cleópatra e até Julieta

A narrativa apresentada aos visitantes incluía personagens como Júlio César e Cleópatra, que supostamente teriam passado pelo lugar. Havia ainda referências a Julieta, personagem de “Romeu e Julieta”.

O cenário ajudava a tornar a história convincente. Havia arquibancadas de pedra, colunas, estátuas e um pequeno lago.

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Só que as investigações descobriram uma realidade bem menos antiga.

As estruturas haviam sido feitas com materiais contemporâneos. Entre eles estavam concreto, gesso, poliestireno e pedras recém-extraídas, algumas delas submetidas a técnicas para parecerem envelhecidas.

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A investigação começou em 2016. A Soprintendenza responsável pelo patrimônio arqueológico concluiu que a estrutura era moderna e que não havia evidências de um antigo anfiteatro naquele ponto. O complexo também havia sido construído sem as autorizações urbanísticas necessárias.

Vista aérea do falso anfiteatro construído em Arcugnano, nos arredores de Vicenza

Fraude chegou a guia oficial de turismo

Talvez o detalhe mais curioso do caso seja que a história não enganou apenas turistas.

O falso sítio arqueológico chegou a aparecer em uma publicação turística e em um aplicativo produzidos pelo consórcio de promoção “Vicenza è” e pelo Gal Terra Berica. A publicação trazia logotipos da União Europeia, da Região do Vêneto e de fundos europeus de desenvolvimento rural.

Foram impressos cerca de 3.000 exemplares da guia antes que a autenticidade da atração fosse questionada.

Há ainda outra ironia: apesar de ser chamado de “anfiteatro”, o edifício tinha formato semicircular. Tecnicamente, portanto, parecia mais um teatro. Anfiteatros romanos, como o Coliseu, têm arena cercada pelas arquibancadas. A própria imprensa de Vicenza já apontava a diferença em 2016.

A Justiça ordenou a recuperação da área, mas a estrutura permanece nas colinas de Arcugnano. Segundo o atual prefeito, Simone Cuomo, a demolição e a restauração do terreno podem custar entre 300.000 e 500.000, criando agora outro problema: definir quem pagará a conta.

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