Dois professores italianos percorreram comunidades de descendentes no Rio Grande do Sul e encontraram marcas da imigração vêneta ainda preservadas entre famílias de terceira, quarta e até quinta geração.
Alberto Zago e Emanuele Danese, professores de ensino médio de Verona, viajaram pela Argentina, Uruguai e Brasil com o objetivo de documentar o que permanece da grande emigração do Vêneto para a América do Sul, iniciada em larga escala no fim do século 19.
“Encontramos descendentes, associações, estudiosos e comunidades que ainda hoje conservam língua, memória, tradições e uma surpreendente ligação com o Vêneto”, afirmou Zago à Agência ANSA.

De Belluno, Vicenza, Pádua e Verona ao Brasil
A viagem começou em Buenos Aires, seguiu pelo Uruguai e chegou ao Brasil por terra. No Rio Grande do Sul, os dois professores alugaram um carro e percorreram o estado em busca de comunidades ligadas à imigração italiana.
A Suprema Corte reafirmou: a cidadania nasce com a pessoa.
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Segundo os professores, entre os descendentes encontrados aparecem repetidamente antepassados originários das províncias de Belluno, Vicenza, Pádua e Verona.
As raízes vênetas foram identificadas não apenas nos sobrenomes e nas árvores genealógicas, mas também na gastronomia, no cultivo de hortas e vinhedos, nas festas, nas músicas, na religiosidade e, principalmente, na língua.
Um dos encontros ocorreu com Marcos Daniel Zancan, professor do Colégio Técnico Industrial da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e coordenador do Projeto Talian, iniciativa dedicada à preservação do patrimônio histórico, linguístico e cultural da imigração italiana na região da Quarta Colônia.
Talian virou patrimônio cultural brasileiro
O talian é uma das heranças mais visíveis dessa imigração. A língua se desenvolveu no Brasil a partir do contato entre variedades linguísticas trazidas principalmente por imigrantes do norte da Itália, com forte presença vêneta, e o português.
Em 2014, o talian recebeu oficialmente o título de Referência Cultural Brasileira após sua inclusão no Inventário Nacional da Diversidade Linguística.
Hoje, 30 municípios do Rio Grande do Sul e quatro de Santa Catarina reconhecem o talian como língua cooficial, segundo o Iphan. Ao mesmo tempo, levantamentos recentes apontam dificuldades na transmissão do idioma às novas gerações.
Durante a passagem por Caxias do Sul, Zago chegou a participar de uma transmissão de rádio em talian, na presença do bispo emérito Alessandro Ruffinoni.
O material reunido ao longo da expedição, incluindo registros, entrevistas e documentação sobre as comunidades visitadas, deverá ser utilizado pelos professores em atividades educativas na Itália.







































