O caso da brasileira que recebeu uma comanda mandando “queimar” seus ovos e cuspir neles em um restaurante de Riccione, na região central da Itália, ganhou um novo elemento. A mãe da jovem, Amanda Duarte, contou ao Italianismo que a filha, Maria Clara, tem seletividade alimentar desde a infância.
Segundo Amanda, que reside em Florença, a dificuldade da filha com determinados alimentos explica por que ela pediu apenas que os ovos fossem bem passados e servidos sem salada.
Descubra se existe um caminho para o seu caso.
QUERO ANALISAR MEU CASO“Pra quem não nos conhece, a Maria Clara tem seletividade com comida. Desde criança ela tem dificuldade de comer de tudo”, afirmou.
A mãe disse ainda que a família mora há anos na Itália e nunca havia passado por situação semelhante.
“Moramos na Itália há anos e nunca sofremos esse tipo de abuso e exposição”, disse Amanda ao Italianismo.

O episódio ocorreu no Victor Lab, na viale Ceccarini, uma das ruas mais conhecidas de Riccione. Maria Clara, de 20 anos, estava tomando café da manhã com a mãe e a tia quando pediu ovos bem passados e sem salada.
Na comanda destinada à cozinha, o garçom escreveu uma mensagem ofensiva que acabou chegando à mesa da família: “Essa me encheu o saco. Queime os ovos e cuspa neles”, em tradução livre.
A mãe critica também parte das reações surgidas nas redes sociais, onde usuários chegaram a responsabilizar Maria Clara por ter pedido uma alteração no prato.
A decisão da Corte Constitucional mudou o cenário. A nova lei da cidadania agora será analisada pela Justiça da União Europeia.
“É um absurdo os comentários de que uma pessoa merece ovos queimados e cuspidos só porque pediu bem passado e sem salada”, afirmou Amanda.
Caso repercute em toda a Itália
O episódio deixou de ser apenas uma reclamação nas redes sociais e passou a ocupar espaço em alguns dos principais veículos de comunicação italianos.
O Corriere della Sera, por meio de sua edição de Bolonha, ouviu Maria Clara e relatou que a brasileira passou a receber insultos, ameaças e comentários racistas depois que a história se espalhou. A jovem afirmou ao jornal que havia feito o pedido de maneira educada e que não queria uma campanha pública contra o funcionário.
A la Repubblica também acompanhou o caso e noticiou posteriormente a reintegração do garçom ao restaurante. O funcionário, de 17 anos, ficou três dias suspenso antes de retornar ao trabalho.
O Il Resto del Carlino publicou diferentes reportagens sobre o episódio e informou que o proprietário do Victor Lab, Luciano Colono, decidiu dar uma segunda oportunidade ao adolescente.
O caso também chegou ao Fanpage, um dos maiores sites de notícias da Itália, e ao Tgcom24, do grupo Mediaset. Maria Clara chegou a participar de um programa de televisão italiano para falar sobre o ocorrido e confrontar a versão apresentada pelo proprietário do estabelecimento.
Restaurante fez piada com o episódio
A reação do estabelecimento também ampliou a repercussão.
Depois de inicialmente pedir desculpas e afastar o funcionário, o Victor Lab publicou um vídeo nas redes sociais ironizando o caso. Na gravação, o próprio proprietário interpreta um cliente e faz referência a um prato servido “com cuspe” (veja o perfil aqui: https://www.instagram.com/victorlabriccione/).

O restaurante chegou ainda a perguntar aos seguidores se o garçom deveria ou não ser demitido. A atitude foi criticada por Maria Clara, que afirmou não querer uma exposição pública do adolescente, mas esperava um pedido de desculpas e uma postura mais séria do estabelecimento.
O funcionário acabou reintegrado depois de três dias.
Para Amanda, porém, a questão vai além da permanência ou não do garçom no emprego.
A mãe afirma esperar que a repercussão sirva para chamar atenção para a forma como clientes são tratados, especialmente quando fazem pedidos relacionados às próprias dificuldades alimentares.
“Espero que continue circulando e mais pessoas deixem de frequentar esse local com tamanho desrespeito, falta de higiene e falta de empatia pelo cliente”, afirmou.
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“Seletividade alimentar!!!” Semântica refinada para “frescura!”
Tem gente q passa mal com ovos mal passados, algumas pessoas têm ânsia de vômito. Mesmo que a cliente fosse “fresca” não justifica cuspir na comida. Desrespeito à comida, ao dinheiro, e às pessoas que passam fome.
Continua sendo “frescura”, “seletividade alimentar”, diga isso em comunidades carentes, onde não se tem o que comer, mesmo que necessite!
Frescura ou não. Ela é cliente e tem o direito de pedir o prato dela com alterações. É uma prática normal que restaurantes sérios já são acostumados a fazer.
Nós podemos ser frescos, se estamos pagando temos direito de comer o que queremos, atendimento de primeira nunca foi o forte da Itália. Que ridículo esse seu comentário quer dizer que porque não gosto de carne mal passada sou obrigada a comer porque alguém em algum lugar está passando fome, não se trata do que a pessoa quer ou não comer e de forma ela quer comer se trata da idoneidade do estabelecimento que pelo visto já isso é muito.
Nós podemos ser frescos, se estamos pagando temos direito de comer o que queremos, atendimento de primeira nunca foi o forte da Itália.
Frescura? Você é um frouxo. Eu também tenho seletividade alimentar. Isso não é frescura.
Seria a tal seletividade alimentar uma desordem de saúde ou frescura de criança que virou adulta?
Nada justifica essa conduta do restaurante. Nenhuma argumentação cínica irá conseguir inverter os fatos, convencendo apenas a turma do déficit cognitivo, a cambada revoltadinha de sempre. Os mesmos que culpam as vítimas pelos estupros, que tratam pobres como loosers, que aplaudem “humor” discriminatório e que defendem a lei da selva, o direito do mais forte.
Ignorem, pois, esses lacradores e trolls, que só querem causar, polemizar, e assim preencherem o vazio de suas vidinhas medíocres, ostentar sua falta de ética e mesmo da mais comezinha moral, ganhando pela escandalização fuleira um palco que jamais teriam por mérito, por competência, por talento.
A pessoas tambem pode estar no espectro autista e por isso da seletividade alimentar. Nao podemos julgar ninguem e Temos qué Ter mais empatia.
O contraditório é que a Maria “Clara” pediu a Gema bruciata e queimou a rosca do cuoco.