No coração de São Paulo, uma tradição iniciada por imigrantes italianos em 1911 continua atravessando gerações. Aos fins de semana, o Circolo Italiano recebe famílias de descendentes que mantêm o hábito de frequentar a instituição, instalada no Edifício Itália.
“Recebemos muitos descendentes de italianos que mantêm a tradição de frequentar a casa”, afirmou José de Lourenço Messina, presidente do Circolo, ao Diário do Turismo. Segundo ele, é “um hábito que passa do avô ao neto”.
A cena resume parte da história de uma entidade criada justamente para aproximar italianos que viviam em São Paulo. Quando o Circolo foi fundado, em 13 de abril de 1911, os imigrantes costumavam se reunir em grupos separados conforme a cidade ou região de origem. A primeira sede funcionou em um sobrado alugado na Rua São Bento, 85, no centro.
Da imigração à mesa
Hoje, a gastronomia é uma das formas mais visíveis dessa ligação com a Itália. Entre os pratos mais procurados do restaurante estão pinsa romana, spaghetti alla carbonara e ossobuco.
A Suprema Corte reafirmou: a cidadania nasce com a pessoa.
- Nova frente jurídica aberta
- Processos ainda podem ser apresentados
- Avaliação individual antes de qualquer decisão
A pinsa é apontada por Messina como a especialidade mais requisitada. Segundo o presidente, parte da preferência está nos ingredientes, entre eles mozarela de origem italiana e tomate selecionado.
O perfil dos clientes muda ao longo da semana. Nos dias úteis, predominam profissionais que trabalham na região central, especialmente de escritórios, bancos e empresas. No fim de semana, entram em cena famílias e descendentes de italianos, alguns ligados à casa há várias gerações.
A cozinha também passa por mudanças. O chef da casa, de origem napolitana, vem incorporando novas técnicas e composições ao menu. A intenção, segundo a direção, é atualizar a experiência sem transformar a tradição em peça de museu.
Messina diz que o cardápio procura “equilibrar a essência tradicional com as inovações que o público atual demanda”.
Circolo está na origem do Edifício Itália
A relação do Circolo com o Edifício Itália é anterior à construção do arranha-céu.
Na década de 1950, a direção da entidade retomou um antigo projeto de substituir sua sede por um grande edifício que pudesse concentrar atividades e instituições ligadas à comunidade italiana. Os planos previam espaço para o próprio Circolo e para entidades e empresas italianas.
A pedra fundamental do futuro Edifício Itália foi colocada em 29 de abril de 1956. A instituição acompanhou o desenvolvimento do projeto e, em agosto de 1963, começou a preparar seus espaços no complexo, mesmo antes da conclusão das obras.
A nova sede foi oficialmente inaugurada em 18 de abril de 1966, e, na época, era o mais alto prédio de concreto da América do Sul.
Muito além do restaurante
O Circolo também mantém atividades culturais, com palestras, apresentações musicais, dança e outros eventos relacionados à Itália.
Messina afirma que a instituição tem uma “agenda cultural intensa” e procura receber novos projetos sem abandonar sua identidade.
Entre as iniciativas está o “Diálogo no escuro”, experiência imersiva sobre a imigração italiana no Brasil que vem recebendo famílias e grupos escolares.
Mais de um século depois daquela primeira reunião de imigrantes em São Paulo, a função do Circolo mudou, mas parte da lógica permanece. O lugar que nasceu para aproximar italianos hoje reúne seus descendentes em torno de comida, memória e cultura.







































