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Gigante italiana sob pressão: Enel pode perder concessão em SP; governo da Itália é seu maior acionista

Empresa enfrenta processo que pode levar à extinção de sua concessão em São Paulo; Ministério da Economia e das Finanças da Itália detém 23,585% do capital da Enel.

Companhia italiana enfrenta processo que pode resultar na perda da concessão de distribuição de energia no estado.
Companhia italiana enfrenta processo que pode resultar na perda da concessão de distribuição de energia no estado.

Uma das maiores multinacionais italianas enfrenta uma disputa que pode mudar sua presença no maior mercado consumidor do Brasil. A Enel corre o risco de perder a concessão de distribuição de energia elétrica em São Paulo, enquanto autoridades brasileiras analisam as consequências de uma eventual troca da empresa.

Há um componente italiano pouco conhecido nessa história: o maior acionista da Enel é o próprio governo da Itália.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

O Ministério da Economia e das Finanças italiano (MEF) possui 23,585% do capital da Enel S.p.A. A participação está muito à frente de qualquer outro acionista individual identificado pela companhia. Em sua documentação societária, a própria Enel afirma estar sujeita ao “controle de fato” do ministério italiano, que historicamente dispõe de votos suficientes nas assembleias para indicar a maioria dos integrantes do conselho de administração.

Isso não significa que o Estado italiano seja proprietário da maioria das ações. No fim de 2025, investidores institucionais detinham, em conjunto, cerca de 58,6% do capital, investidores de varejo tinham 17,8% e o MEF, 23,6%. Esses investidores institucionais, porém, são numerosos e não constituem um único acionista.

TCU entra no caso

A pressão sobre a operação paulista aumentou nesta semana.

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentem, em até 60 dias, um cronograma de medidas para assegurar a continuidade do fornecimento nos 24 municípios atendidos pela Enel São Paulo após o término do contrato atual, previsto para 2028.

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O tribunal também recomendou que sejam avaliados os impactos de uma eventual caducidade da concessão, incluindo as consequências para consumidores, tarifas, continuidade do serviço e transição para um eventual novo operador.

O processo acompanhado pelo TCU está relacionado às medidas tomadas após os apagões registrados na Região Metropolitana de São Paulo desde 2023. Segundo a corte, existem “fortes indícios de prestação inadequada dos serviços” que podem comprometer a prorrogação da concessão.

Aneel analisa possível caducidade

Paralelamente ao processo no TCU, a Aneel conduz um procedimento administrativo que pode terminar com uma recomendação de caducidade do contrato da Enel São Paulo.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

Caducidade é a extinção de uma concessão em razão do descumprimento de obrigações pelo concessionário. Trata-se de uma das medidas mais severas previstas no regime de concessões públicas.

Em agosto, a Aneel rejeitou um pedido da Enel para suspender o procedimento. A agência afirmou que suas fiscalizações haviam registrado e comunicado formalmente deficiências na atuação da distribuidora.

No mesmo mês, a diretoria da Aneel também rejeitou um pedido da empresa para realização de perícia independente. Com isso, a agência considerou encerrada a fase instrutória e abriu prazo para as alegações finais da companhia, etapa anterior à deliberação sobre uma eventual recomendação de caducidade.

A Enel contesta as conclusões e os critérios utilizados pela agência. A empresa sustenta que realizou investimentos para reforçar sua operação e melhorar os indicadores de atendimento. Segundo dados divulgados pela companhia, foram investidos R$ 2,8 bilhões na operação paulista em 2025.

A decisão final sobre eventual caducidade não cabe à Aneel. Caso a agência recomende a medida, caberá ao Ministério de Minas e Energia decidir sobre a extinção da concessão.

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Contrato termina em 2028

Há ainda outra frente decisiva para a companhia italiana.

O atual contrato de concessão da Enel São Paulo termina em 2028. A empresa buscava a renovação antecipada, mas o processo está suspenso enquanto não houver uma definição sobre o procedimento de caducidade.

Isso cria dois caminhos distintos que podem afetar a permanência da Enel na distribuição paulista: a eventual extinção antecipada do contrato por caducidade ou a não renovação da concessão quando ela chegar ao fim.

A Enel atende mais de 8,5 milhões de clientes na região metropolitana, segundo a empresa.

Perder São Paulo não significa deixar o Brasil

Apesar da dimensão do caso, uma eventual perda da concessão paulista não significaria automaticamente a saída da Enel do Brasil.

O grupo italiano mantém operações de distribuição de energia também no Rio de Janeiro e no Ceará, além de outras atividades no setor elétrico brasileiro.

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No Ceará, por exemplo, a Enel informou ter investido R$ 2,1 bilhões em 2025 e outros R$ 412,2 milhões apenas no primeiro trimestre de 2026.

Portanto, o processo paulista representa uma disputa de grande peso para a multinacional italiana, mas não equivale, neste momento, a uma despedida da empresa do mercado brasileiro.

O que está em jogo é uma das principais concessões de distribuição de energia do país e, indiretamente, os interesses de uma companhia na qual o Estado italiano continua exercendo papel central como maior acionista.

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