A região da Calábria, no sul da Itália, aprovou um programa de incentivos financeiros para estudantes universitários. A medida busca frear a saída de jovens qualificados para o norte do país.
O plano faz parte do programa regional “ingresso por mérito”. Ele prevê pagamentos progressivos de até 1.000 euros mensais a estudantes de universidades públicas locais.
Os beneficiários devem cumprir critérios acadêmicos rigorosos. Entre as exigências estão a assiduidade, a aprovação em exames e a manutenção de boas classificações.
O apoio financeiro será destinado apenas aos estudantes com melhor desempenho. Segundo o conselho regional, o pagamento funciona como um complemento ao estudo e não como um “subsídio universal”.
A iniciativa deve entrar em vigor no próximo ano letivo, com início em setembro. O objetivo central é combater a chamada “fuga de cérebros” motivada por baixos salários e falta de emprego qualificado.
Roberto Occhiuto, presidente da região, defendeu publicamente a proposta. O político afirmou que “o êxodo juvenil começa na universidade” e que é necessário investir no desenvolvimento regional.
Occhiuto destacou que o objetivo é “fazer tudo o possível para que os nossos jovens talentos possam ficar aqui a estudar”. Ele vê o capital humano como elemento central para o futuro da Calábria.
A Calábria é uma das áreas mais pobres da Europa, segundo dados do Eurostat. O rendimento médio anual é inferior a 16.000 euros, cerca de metade do registrado na Lombardia.
A crise demográfica também atinge a região. Segundo o instituto Istat, a população calabresa recuou 6,4% na última década. É o maior declínio entre todas as regiões italianas.
A região enfrenta dificuldades estruturais profundas e a influência da organização criminosa “Ndrangheta”. Recentemente, a Calábria precisou contratar médicos cubanos para manter o funcionamento de hospitais.
A medida gera contestação política e social. Críticos afirmam que o incentivo financeiro não resolve problemas de fundo, como a falta de infraestrutura e de oportunidades de carreira.
Rosa Ferraro, representante do Partido Democrático, criticou a iniciativa. Para a parlamentar, o plano é insuficiente e não enfrenta as “causas reais da crise regional”.
Outros críticos apontam que a falta de um sistema de avaliação de rendimentos pode favorecer famílias mais ricas. O governo regional mantém a aposta no programa para tentar estabilizar a economia local.
































































