A Associação Bellunesi nel Mondo completou 60 anos com uma cobrança direta à Região do Vêneto: os repasses ao associativismo dos vênetos no exterior caíram 78% na última década.
A denúncia foi feita pelo presidente Oscar De Bona durante a 62ª Assembleia Geral da entidade, realizada no sábado, 30 de maio, no Palazzo Crepadona, em Belluno. Cerca de 200 pessoas acompanharam o encontro, moderado pela vice-presidente vicária Patrizia Burigo.
De Bona também criticou falhas dos Correios italianos na entrega da revista Bellunesi nel mondo aos associados. Para ele, o problema atinge um serviço básico para comunidades espalhadas pelos cinco continentes.
Verba menor para vênetos no mundo
Segundo De Bona, o corte nos recursos regionais já provocou o fechamento de associações históricas no Vêneto e reduziu a atuação de círculos no exterior.
Para 2026, a Região do Vêneto confirmou 200… euros para todo o território. O presidente disse que a entidade não pede “milhões de euros”, mas ao menos o dobro do valor atual.
Ele citou o Friuli-Venezia Giulia e a Província de Trento como exemplos de administrações que ampliaram repasses ao associativismo de seus emigrados.

O conselheiro regional de oposição Alessandro Del Bianco manifestou apoio à associação, embora tenha ressaltado sua posição de minoria. Ele elogiou a gestão dos recursos pela entidade e afirmou que a Bellunesi nel Mondo “merece realmente um apoio adicional”.
Revista é chamada de “cordão umbilical”
A segunda denúncia mirou os Correios italianos. De Bona afirmou que “um serviço tão básico não é garantido” e disse não lhe parecer que a estatal feche seu balanço no vermelho.
O diretor da revista, Dino Bridda, também reforçou a gravidade do problema.
Para a associação, a publicação impressa continua sendo um elo com os belluneses no exterior. De Bona chamou a revista Bellunesi nel mondo de “nosso verdadeiro cordão umbilical”.

Museu da Emigração Vêneta abre em julho
A assembleia também marcou o anúncio da abertura do Museu da Emigração Vêneta (MEV), prevista para 4 de julho, na sede da associação.
O espaço recebeu 220.000 euros a fundo perdido, com recursos do PNRR e do Ministério da Cultura. Segundo a entidade, será o único museu regional dedicado inteiramente à emigração vêneta.
A proposta é interativa e multimídia, com atenção também ao público escolar.
Cidadania, AIRE e fisco
De Bona apresentou ainda três frentes institucionais defendidas pela Bellunesi nel Mondo.
A primeira envolve a residência fiscal fixada de ofício em Roma para emigrantes com aposentadoria italiana. Segundo a entidade, o modelo eleva alíquotas e retira arrecadação dos territórios de origem.

A segunda trata dos atrasos dos cartórios italianos na gestão de atos de estado civil de cidadãos inscritos no AIRE.
A terceira envolve a cidadania italiana por descendência. Com o chamado Decreto Tajani, o reconhecimento passou a ser limitado à segunda geração. A associação defende a extensão ao menos até a terceira geração, também como resposta ao esvaziamento demográfico das montanhas bellunesas.
Aniversário sem tom de chegada
Apesar dos 60 anos de fundação, completados em 9 de janeiro, De Bona evitou o tom de celebração encerrada. Disse que a data não representa um ponto de chegada, mas “a rampa de lançamento para o futuro”.
A assembleia também lembrou os sócios falecidos em 2025 e no início de 2026, entregou pergaminhos a associados e apoiadores e ouviu o relatório econômico do tesoureiro Angelo Paganin.







































