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Cotidiano

Brasileiros afirmam ter sido vítimas de golpe em projeto de casas na Itália

Projeto de casas na Itália vira pesadelo para brasileiros e entra na mira da Justiça.

Brasileiros afirmam ter sido vítimas de golpe em projeto de casas na Itália, incluindo em Fabbriche di Vergemoli
Brasileiros afirmam ter sido vítimas de golpe em projeto de casas na Itália, incluindo em Fabbriche di Vergemoli

O projeto que prometia transformar imóveis antigos em casas reformadas na Itália tornou-se alvo de investigação das autoridades italianas após denúncias de compradores brasileiros que afirmam ter sofrido prejuízos financeiros, cobranças sucessivas e paralisação das obras.

A apuração foi revelada pelo portal UOL, que ouviu vítimas, autoridades locais e representantes ligados ao empreendimento. Segundo a reportagem, a Procuradoria de Lucca investiga suspeitas relacionadas ao uso de créditos fiscais do programa Superbonus 110%.

Enquanto clientes afirmam terem perdido economias de uma vida inteira, a empresa sustenta que as dificuldades decorreram de uma crise que atingiu todo o setor da construção civil italiano.

Compradores relatam cobranças e prejuízos

Entre os entrevistados está um advogado brasileiro que preferiu não se identificar. Ele afirma que decidiu investir porque conhecia um dos responsáveis pelo projeto.

“Nunca imaginei que eles dariam golpe em amigos. Meu marido conhecia o Douglas fazia uns 15 anos. Por isso resolvi investir, mesmo achando que algo não parecia certo.”

Segundo ele, o imóvel foi adquirido em 2021 por 10.000 euros, em um contrato que previa a compra, as taxas e a gestão da reforma por meio do Superbonus.

Com o passar do tempo, porém, novas cobranças começaram a surgir.

“Não era para ter mais nada a pagar, mas a reforma não começava e as cobranças continuavam. Quando me recusei a pagar mais, ameaçaram vender minha parte. Revoguei a procuração e dei o investimento como perdido.”

Outra compradora, gerente comercial do setor da moda, afirma ter investido recursos da aposentadoria acreditando que realizaria o sonho de ter uma casa na Itália.

“Acreditei. Parecia um sonho. Gastei minha aposentadoria. Virou um pesadelo. Tive burnout e até hoje pago as dívidas.”

Ela relata que recebeu cobranças sucessivas sem que as obras avançassem e, posteriormente, chegou a receber uma cobrança de centenas de milhares de euros para continuidade do empreendimento.

“Eu tive burnout. Já sabia que nada ia acontecer. Pediam mais dinheiro, cobravam condomínio de ruínas, não fazia sentido.”

Advogado relata confronto com responsáveis pelo projeto

O advogado italiano Andrea Merlo passou a representar alguns compradores após o surgimento dos problemas.

Segundo ele, uma tentativa de resolver a situação diretamente com os responsáveis terminou em um encontro tenso.

“Os dois foram ao meu escritório, e o Da Lio chegou de forma agressiva, arrogante. Parecia um interrogatório.”

Merlo afirma que questionou Alberto Da Lio sobre documentos relacionados às obras.

“Perguntamos se ele sabia disso, e ele respondeu: ‘Claro que sim’. Como ele é o diretor das obras, questionamos quem tinha feito a asseverazione das faturas. Ele respondeu tranquilamente: ‘Eu. Qual é o problema?'”

Segundo o advogado, as faturas mencionadas faziam referência a obras que, conforme os clientes, não haviam sido executadas.

Prefeito diz que moradores testemunharam o drama dos compradores

O impacto do caso também foi sentido em Fabbriche di Vergemoli, pequeno município da Toscana onde diversos imóveis foram comercializados.

O prefeito Michele Giannini afirmou que recebeu inúmeros compradores brasileiros em busca de ajuda.

“Foi tanta gente que veio aqui chorando.”

Segundo o prefeito, algumas famílias venderam patrimônio no Brasil para investir na mudança para a Itália.

“Teve quem vendeu casa para ter um futuro aqui. Pessoas com crianças. Alguns voltaram para o Brasil.”

Ao comentar o caso, Giannini fez um apelo para que situações semelhantes não permaneçam ocultas.

“Mais do que ter medo deles, deve-se ter medo do silêncio.”

O que diz a empresa

Procurada pela reportagem do UOL, a Sonho.it afirmou que a paralisação das obras ocorreu em razão de uma “crise sistêmica” que atingiu o setor da construção civil italiano e informou permanecer à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A advogada Federica Antonacci, representante de Alberto Da Lio, informou que seu cliente não comentaria as acusações apresentadas. Já, segundo o UOL News, Douglas Roque não respondeu aos questionamentos encaminhados pela reportagem.

Investigação continua

A Procuradoria de Lucca segue investigando o caso. Segundo o UOL, cinco pessoas são investigadas e aproximadamente 4 milhões de euros em bens foram bloqueados durante as apurações. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.

POSICIONAMENTO OFICIAL DAS EMPRESAS

A Sonho.it esclarece que não é alvo da investigação conduzida pelo Ministério Público de Lucca, na Itália. A empresa atua exclusivamente na comercialização de imóveis, sendo os projetos técnicos e a execução das obras de responsabilidade da Mole Aquae Architettura, que apresentou às autoridades italianas toda a documentação e os esclarecimentos solicitados.

Todos os negócios foram realizados por meio de contratos regularmente firmados entre as partes, em conformidade com a legislação italiana e com as regras do programa Superbonus. Durante sua vigência, o programa passou por sucessivas alterações legislativas, incluindo restrições à cessão de créditos, que impactaram projetos em toda a Itália.

As obras não estão embargadas e podem ser retomadas pelos proprietários com recursos próprios, conforme previsto contratualmente.

A Sonho.it reforça que nunca comercializou imóveis conhecidos como “casas de 1 euro”. Todos os projetos contavam com as autorizações exigidas pelas autoridades italianas, e as obrigações e responsabilidades dos proprietários, inclusive as de natureza tributária, sempre estiveram expressamente previstas em contrato.

A empresa esclarece ainda que, dos 10 milhões de euros inicialmente bloqueados pela Justiça italiana, 6 milhões já foram liberados. A expectativa é de que os 4 milhões de euros remanescentes também sejam desbloqueados após a conclusão das análises em andamento.

A Sonho.it e a Mole Aquae Architettura seguem operando normalmente, prestando suporte aos clientes e colaborando integralmente com as autoridades italianas para o pleno esclarecimento dos fatos.

Atualização: Em 08/07/2026, este artigo foi atualizado para incluir o posicionamento das empresas, enviado por meio de sua assessoria de comunicação.

8 Comentários

1 Comentário

  1. Patricia

    7 de julho de 2026 at 22:06

    Quando fiquei sabendo desse programa, cheguei a pensar em vender meu apto para investir, mas um medo tomou conta, desisti, obrigada Deus

  2. Enéas Lourenço Pereira

    8 de julho de 2026 at 12:13

    As pessoas sairam do Brasil para serem roubadas na Itália, bando de ladrões!

  3. Enéas Lourenço Pereira

    8 de julho de 2026 at 12:14

    Os europeus, quase sem exceção, não gostam de sul americanos!

  4. Dora Albert

    8 de julho de 2026 at 13:27

    Estão embargando o projeto e pedindo mais dinheiro só aos Brasileiros!?
    Precisa ver isso, ao invés de darem um subsídio governamental para ajudar a reconstruir o país e popularizar!? Pará gente! No Brasil voces pagam a casa nova, e recebem recebem ajuda do governo para reformar. Isso é não valorizar o seu país!
    O subsídio. Aqui voces pagam para reformas estas casas neste estado!? E aí da fazem isso!??? E porque estão abertas as licitações com tanta facilidade aos Brasileiros, até turista pode comprar sabia!? Leiam! Eu já ia tirar o CPF para comprar! Mas lembrei-me do meu professor de Direito, diz assim: As pessoas perdem muito por não lêem as coisas, viu!? Resolvi ler mais um pouco sobre a situação, licitações, onde, inscrever, onde de ir etc:
    Me encontro aqui em vários relatos negativos.
    Muito fácil comprar!!!
    Como diz no Brasil: quando a esmola é demais o santo desconfia…
    Bom mesmo de se viver e investi é o meu país! Continuar com minha hortelaria lá e investi e ser feliz lá.
    Aqui não estou vendo nada fácil!
    Só cidades diminuindo população de jovens e aumentando os idosos.
    Se eles continuarem daqui a uns anos, vai precisar dar de graça e nem os brasileiros vão querer mais viver aqui.
    Muita exploração.
    Estou voltando com mais orgulho do meu Brasil.

  5. Henrique Pinto

    9 de julho de 2026 at 07:53

    E golpe por toda parte, bobo e quem acredita nas promessas de que em outros países, existem sinceridade em golpistas.

  6. Sandra Gimenes

    9 de julho de 2026 at 13:27

    A minha falecida mãe já dizia que quando a esmola e grande o santo desconfia …
    Eu complemento: Ainda mais se tratando de santo estrangeiro…Madonna mia!

    Mia madre, buonanima, diceva sempre che quando l’elemosina è troppo generosa, il santo si insospettisce…
    Io aggiungerei: soprattutto se si tratta di un santo straniero… *Madonna mia!*

  7. Adalberto

    10 de julho de 2026 at 03:01

    Só entrar em contato com o pcc, combinar um valor, dividir entre um grupo. Eles vão passar o rodo geral e resolver o assunto. Farão o que a quadrilha do Estado não faz

  8. Penca

    11 de julho de 2026 at 11:12

    É que existe tanta roubalheira e malandragem no Brasil que o estrangeiro não confia mais.

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