O Instituto Nacional de Estatística de Portugal registrou 574.195 brasileiros residentes no país até dezembro de 2025. O número corresponde a 35,9% de toda a população estrangeira e mantém o Brasil na liderança isolada entre as nacionalidades imigrantes.
Portugal alcançou o recorde de 11.424.031 habitantes, dos quais 14% são cidadãos estrangeiros. Angola aparece em segundo lugar, com 103.140 pessoas (6,5% do total de imigrantes), seguida pela Índia, com 93.683 residentes.
Cabo Verde (76.099), Nepal (56.866), Bangladesh (56.724) e Guiné-Bissau (53.555) completam o grupo das principais nacionalidades estrangeiras no país. Entre os europeus, a Itália ocupa a 12ª posição, com 32.784 residentes.
Uma comunidade com maioria de mulheres
O professor Ilo Alexandre, especialista em visualização de dados e investigador no CICANT da Universidade Lusófona, analisou os dados do INE a pedido do DN Brasil.
Segundo ele, a mais recente onda migratória do Brasil para Portugal começa em meados de 2018. “Coincide com a eleição de Bolsonaro no Brasil. Hoje, 1 em cada 3 estrangeiros no país é brasileiro”, afirmou.
A comunidade brasileira também se diferencia no perfil de gênero. São 288.788 mulheres, o que garante maioria feminina, ao contrário do conjunto da imigração.
“Quando a gente olha para a população estrangeira em geral, 57% são homens e apenas 43% são mulheres”, explicou o investigador.
Norte concentra mais brasileiros que Lisboa
A distribuição geográfica também contraria o padrão dos demais imigrantes. A região Norte concentra 27,4% dos brasileiros, à frente da região de Lisboa, com 26,7%. O Centro aparece em terceiro, com 15,8%.
Ilo Alexandre observa que o Governo português recebeu os dados como validação das mudanças nas políticas migratórias, que encerraram várias possibilidades de regularização de residência.
“Porque o crescimento, que foi muito acentuado de 2021 a 2023, começou a ser mais sutil. O número de imigrantes nos últimos anos cresceu bastante. De 2021 para 2025, praticamente dobrou. Passou de 700 mil para praticamente 1,6 milhão de estrangeiros vivendo em Portugal”, disse.
Para o investigador, a tendência é de estabilização. “O Governo diz que há um controle maior da imigração e dessa forma é para manter. Ou seja, a política de portas abertas acabou e a tendência é que esses números, que estavam num crescendo agudo, virem mais ou menos uma reta”, concluiu. (Com informações do DN Brasil e do INE)






































