Mais de 900 mil imigrantes já pediram a regularização da situação em que vivem na Espanha, dentro de um processo extraordinário aberto pelo governo espanhol em 16 de abril. A maioria vem de países da América Latina, incluindo o Brasil.
O prazo para apresentar os pedidos termina em 30 de junho. O governo estimava alcançar meio milhão de pessoas, mas o número de candidaturas já passa de 900.000, segundo os dados oficiais mais recentes.
O processo é voltado para estrangeiros sem antecedentes penais que entraram no país até 31 de dezembro de 2025 e comprovem permanência ininterrupta de cinco meses. A primeira resposta é um visto de trabalho provisório de um ano, que depois precisa ser certificado para revalidação.
A jurista brasileira Thais Camargo, especializada em imigração e com escritório em Madrid, avaliou o programa como “uma jogada muito interessante do Governo espanhol”. Ela explica que a regularização atinge pessoas que já trabalham na Espanha, mas que muitas vezes não pagavam todos os impostos enquanto usavam serviços públicos de saúde e educação.
Camargo afirma que 100% dos processos que conduziu desde abril são de latino-americanos, sendo 90% de brasileiros. A comunidade brasileira na Espanha gira em torno de 180.000 pessoas. Segundo ela, o escritório registra forte procura, inclusive de brasileiros que vivem em Portugal em situação irregular e querem se mudar para a Espanha.
Essa busca, segundo a jurista, coincidiu com dificuldades de resposta da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) em Portugal e se manteve após a troca de governo socialista por outro liderado pelo PSD.
Apoios e críticas ao programa
Entidades oficiais e ONGs apontam que cerca de 80% ou mais dos beneficiados vêm da América Latina, em linha com estudos que indicam que a maioria dos estrangeiros em situação irregular entra na Espanha de avião, como turista.
O processo teve apoio de ONGs, da Igreja Católica, de sindicatos e de associações empresariais, e foi criticado por partidos de direita e de extrema-direita. O comissário europeu para Migração, Magnus Brunner, classificou a medida como um “mal sinal”.
O premiê espanhol, Pedro Sánchez, defende que a imigração contribui para o desempenho da economia do país, uma das que mais crescem na União Europeia. Ele afirmou que quem vive e contribui para o desenvolvimento econômico “merece ter os mesmos direitos que qualquer outro cidadão”.
(Com informações da DN/Lusa)




































