O partido Futuro Nazionale, liderado pelo eurodeputado Roberto Vannacci, quer usar os milhões de italianos que vivem no exterior como parte da estratégia para enfrentar a queda populacional da Itália.
O programa político apresentado pelo partido propõe um “incentivo fiscal ao retorno dos italianos em idade produtiva no exterior” e cita expressamente três países: Brasil, Venezuela e Argentina.
O texto menciona “famílias jovens”, pessoas em idade produtiva e também italianos por ius sanguinis, grupo que inclui grande parte dos cidadãos italianos reconhecidos na América Latina.
A proposta faz parte da chamada “remigração para a Itália“, expressão utilizada pelo próprio Futuro Nazionale. Segundo o programa, atrair cidadãos italianos residentes fora do país seria uma resposta mais imediata à crise demográfica, enquanto políticas de incentivo à natalidade produziriam efeitos no longo prazo.
A Suprema Corte reafirmou: a cidadania nasce com a pessoa.
- Nova frente jurídica aberta
- Processos ainda podem ser apresentados
- Avaliação individual antes de qualquer decisão
Brasil entra diretamente no plano
O Brasil não aparece apenas como referência genérica à diáspora italiana. O documento cita nominalmente os cidadãos italianos que vivem no país, ao lado dos residentes na Argentina e na Venezuela.
Na prática, a proposta busca transformar a extensa comunidade de cidadãos italianos no exterior em uma fonte potencial de trabalhadores e novas famílias para a Itália.
Há, porém, uma particularidade na expressão “retorno”. Muitos cidadãos reconhecidos por ius sanguinis nasceram no Brasil, na Argentina ou em outros países e nunca viveram na Itália. Nesse caso, não se trataria propriamente de retornar, mas de atrair descendentes já reconhecidos como cidadãos italianos para se estabelecerem no país.
Menos imigração, mais italianos do exterior
A proposta está ligada à política migratória defendida por Vannacci. O Futuro Nazionale pretende restringir fortemente a imigração de estrangeiros e, ao mesmo tempo, favorecer a chegada de cidadãos italianos que atualmente vivem fora da Itália (leia o programa completo aqui).
O programa prevê entradas de trabalhadores estrangeiros limitadas e submetidas também a critérios de “compatibilidade cultural”. Para a concessão da cidadania por residência, o partido propõe elevar o requisito para 20 anos de permanência regular e exigir conhecimento de italiano em nível C1. Também rejeita ius soli e ius scholae.
Nesse desenho, os cidadãos reconhecidos por descendência passam a ocupar um papel diferente: já são italianos juridicamente e poderiam receber incentivos para transferir residência e atividade econômica para o país.
Ainda é uma proposta eleitoral
O plano faz parte da Base Ideológica e Programática do Futuro Nazionale para a Itália 2027-2037. O próprio partido afirma que o documento ainda será desenvolvido e atualizado nos próximos meses. Portanto, não se trata de uma medida aprovada nem de um benefício fiscal atualmente disponível.
O programa foi apresentado com horizonte de dez anos, correspondente a duas legislaturas, e deve servir de base para a plataforma eleitoral do partido de Vannacci.
O contraste com o governo Meloni
A proposta de Vannacci contrasta com a política adotada pelo atual governo italiano. Em março de 2025, o governo de Giorgia Meloni aprovou o Decreto-Lei 36/2025, posteriormente convertido na Lei 74/2025, que restringiu o reconhecimento da cidadania italiana por ius sanguinis para pessoas nascidas no exterior com outra cidadania.
Na justificativa oficial da reforma, defendida pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, o governo associou o crescimento do número de cidadãos italianos residentes no exterior à possível ausência de vínculos efetivos com a República e a “fatores de risco para a segurança nacional“. O argumento provocou forte reação no Parlamento, onde opositores acusaram o governo de tratar os italianos no exterior e seus descendentes como uma ameaça.








































Elton Rodrigues
14 de agosto de 2026 at 11:11
hoje a Itália preferem os mulçumanos, do que os descendentes, eu, como italo-brasileiro fico indignado com essa situação atual, torço para que esse projeto avance e não fique só no papel.
David Alexandre
14 de agosto de 2026 at 16:54
Isso é o certo que o Roberto Vanacci está propondo
Francisco Bomtempo
14 de agosto de 2026 at 20:37
Parabéns pela proposta do Roberto Vannacci pois, nós descendentes de italianos nutrimos um imenso respeito a pátria mãe de nossos antenati e creio que é um meio com maior identidade a este país tão querido de nós italo-brasileiros.