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Itália rejeita ultimato da Espanha e mantém controles de fronteira

Madri ameaça responder se a restrição não for suspensa até domingo; governo Meloni afirma que medida continuará pelo menos até 15 de agosto

Itália mantém controles sobre viajantes da Espanha após crise migratória em Ceuta. Madri ameaça responder a partir de 10 de agosto.
Itália mantém controles sobre viajantes da Espanha após crise migratória em Ceuta. Madri ameaça responder a partir de 10 de agosto.

A crise diplomática entre Itália e Espanha aumentou nesta sexta-feira (7), depois que o governo de Giorgia Meloni rejeitou o ultimato de Madri e decidiu manter os controles sobre viajantes procedentes do país ibérico pelo menos até 15 de agosto.

Horas antes, o governo espanhol havia exigido a suspensão da medida até o fim de domingo (9). Caso contrário, prometeu adotar respostas “proporcionais para proteger os interesses e a dignidade de seus cidadãos”.

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Em nota, o Palácio Chigi afirmou que a Itália “não aceita ultimatos ou imposições do exterior” em assuntos relacionados à segurança nacional e ao controle das fronteiras. Roma também disse que não pretende rever a decisão enquanto não receber garantias sobre o controle dos fluxos migratórios originados em Ceuta.

Os dois países não possuem fronteira terrestre. Na prática, a fiscalização afeta passageiros que chegam da Espanha por aeroportos e portos italianos, incluindo cidadãos espanhóis e turistas que tenham partido do território espanhol.

A Itália reintroduziu os controles em 1º de agosto, após a entrada em massa de migrantes provenientes do Marrocos no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África. Segundo a ANSA, cerca de 72 mil pessoas cruzaram a fronteira durante a crise.

Madri considera a resposta italiana injustificada e discriminatória. Em comunicado oficial, o governo de Pedro Sánchez afirmou que Ceuta possui um regime especial dentro do Espaço Schengen e que os migrantes não poderiam seguir livremente para a Espanha continental ou para outros países europeus.

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O Executivo espanhol acrescentou que quase todas as pessoas que entraram irregularmente já retornaram ao Marrocos. A versão coincide com a avaliação divulgada pelo Conselho da União Europeia após uma videoconferência dos ministros do Interior realizada em 4 de agosto.

De acordo com o Conselho, a “grande maioria” dos migrantes havia sido devolvida, sem registro de deslocamentos posteriores para a Espanha continental ou para outros Estados-membros.

Na reunião, os países da União Europeia e os associados ao Espaço Schengen manifestaram solidariedade unânime à Espanha. Os ministros também defenderam maior coordenação entre os governos durante crises migratórias.

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O comunicado espanhol acusa Roma de ter adotado os controles unilateralmente, sem aviso prévio e com argumentos incompatíveis com as regras de Schengen. Madri também recordou que nunca aplicou restrições semelhantes contra italianos, apesar do elevado número de desembarques registrados na Itália nos últimos anos.

A disputa começou após autoridades italianas criticarem a política migratória espanhola, incluindo o projeto de regularização de centenas de milhares de estrangeiros. O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, declarou que a iniciativa poderia incentivar novas entradas irregulares.

O ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, respondeu que Roma não havia reagido “à altura” da emergência em Ceuta.

A manutenção dos controles abre caminho para uma possível retaliação espanhola a partir de segunda-feira (10). Até o momento, Madri não informou quais medidas pretende adotar caso a Itália preserve as restrições.

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Mario Treves

    Está parte não está certa: “Na prática, a fiscalização afeta passageiros que chegam da Espanha por aeroportos e portos italianos, incluindo cidadãos espanhóis e turistas que tenham partido do território espanhol.” O correto é: “As verificações serão direcionadas e abrangerão apenas cidadãos de países terceiros (não pertencentes à UE) provenientes da Espanha, a fim de verificar sua entrada legal na Itália.”

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