A Itália fechou nesta sexta-feira (31) as fronteiras aéreas e marítimas com a Espanha e suspendeu temporariamente o acordo de Schengen entre os dois países. A resposta espanhola veio minutos depois: o premiê Pedro Sánchez publicou dados da Frontex que mostram a Itália na liderança das entradas irregulares na União Europeia, com mais que o dobro dos registros da Espanha.
Segundo os números citados por Sánchez, entre 2021 e 2026 a Itália registrou 478,6 mil entradas irregulares, contra 234,7 mil da Espanha. A rota dos Bálcãs Ocidentais soma 340,6 mil, a Grécia, 259,8 mil, e a fronteira oriental, 48 mil.

A decisão italiana partiu do Ministério do Interior, com base em informações de inteligência analisadas pelo Comitê de Análise de Imigração e Segurança de Fronteiras, em reunião presidida pelo ministro Matteo Piantedosi, em Roma. A pasta não detalhou a natureza dessas informações e afirmou apenas que a medida tem caráter preventivo. O governo também reforçou a fiscalização na fronteira terrestre com a França, após conversa entre Piantedosi e o ministro francês Laurent Nuñez.
O anúncio ocorre um dia depois de a premiê Giorgia Meloni sinalizar “medidas extraordinárias” em reação à travessia de milhares de migrantes do Marrocos para o território espanhol de Ceuta. Para ela, a imigração irregular representa “uma ameaça real” à segurança europeia.
A Suprema Corte reafirmou: a cidadania nasce com a pessoa.
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“Medida inevitável”, diz Meloni
Nas redes sociais, a premiê justificou a decisão. “Esta é uma medida extraordinária, adotada para salvaguardar a segurança nacional e prevenir possíveis repercussões para a nossa nação”, escreveu. Segundo ela, a suspensão “permanecerá em vigor apenas pelo tempo necessário, com atenção especial para limitar qualquer impacto nos fluxos turísticos de verão”.
O vice-premiê e chanceler Antonio Tajani criticou a política migratória espanhola, depois de Madri conceder cidadania a mais de 500 mil migrantes. A declaração levou a Espanha a convocar o embaixador italiano, Giuseppe Buccino Grimaldi, para protesto formal.
A resposta de Sánchez
Na rede social X, o premiê espanhol afirmou que “solidariedade e empatia são opcionais”, mas que “respeitar os tratados europeus e os dados, não”. Ao final, escreveu que “não é momento para divisão” e defendeu “uma União Europeia forte e unida”.
Em vigor desde 1985, o acordo de Schengen garante a livre circulação entre 29 países europeus, mas permite suspensões temporárias em caso de ameaça grave à segurança interna. O mecanismo já foi acionado quase 400 vezes. A própria Itália recorreu a ele nas cúpulas do G7 e do G8 e, em 2023, na fronteira com a Eslovênia, durante a crise na rota dos Bálcãs.





































