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Comprar carro na Itália: 5 detalhes que costumam surpreender brasileiros

Financiamento com maxi prestação, transferência, seguro e impostos podem elevar o custo de um carro na Itália. Veja 5 pontos importantes para brasileiros.

Modelos da Fiat expostos em concessionária; compra de carro na Itália envolve custos com financiamento, transferência, seguro e impostos
Modelos da Fiat expostos em concessionária; compra de carro na Itália envolve custos com financiamento, transferência, seguro e impostos

Comprar um carro na Itália envolve algumas regras e custos que nem sempre ficam claros no preço anunciado. Para brasileiros que chegam ao país, as maiores surpresas costumam aparecer no financiamento, na transferência de veículos usados, no seguro e nos impostos cobrados depois da compra.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

Antes de fechar negócio, vale olhar além da parcela mensal ou do valor exibido pela concessionária. Em alguns casos, despesas adicionais podem representar centenas ou até milhares de euros ao longo do período de propriedade do veículo.

1. A parcela baixa pode esconder uma maxi prestação

Uma das diferenças mais importantes está no financiamento. Na Itália, são comuns ofertas com valore futuro garantito, modelo em que o comprador dá uma entrada, paga prestações mensais relativamente baixas durante alguns anos e deixa uma parcela elevada para o fim do contrato.

O Banco da Itália alertou em 2026 para a expansão desse tipo de financiamento. Segundo a instituição, cerca de quatro em cada cinco carros novos ou usados são comprados a prazo no país, e as fórmulas com maxi rata finale ganharam espaço especialmente entre os veículos novos.

No fim do contrato, o cliente pode ter de pagar a parcela final, devolver o carro nas condições previstas ou financiar novamente o saldo. Por isso, a recomendação é não comparar ofertas apenas pelo valor mensal. Entrada, número de parcelas, maxi prestação e TAEG, indicador do custo global do crédito, precisam entrar na conta.

2. Transferir um carro usado custa mais do que uma taxa fixa

Na compra de um veículo usado, o novo proprietário precisa fazer o passaggio di proprietà, a transferência de propriedade registrada no Pubblico Registro Automobilistico, o PRA.

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O custo não é igual em toda a Itália. Segundo o ACI, a despesa inclui a Imposta Provinciale di Trascrizione, IPT, imposto de selo e emolumentos administrativos. A IPT é normalmente a parte mais pesada e varia conforme a potência do veículo e a província.

As províncias podem elevar em até 30% a tarifa básica da IPT. Para automóveis com mais de 53 kW, o cálculo passa a ser proporcional à potência. Na prática, isso significa que dois carros de preços semelhantes podem ter custos de transferência diferentes.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

Antes da compra de um usado, também é recomendável verificar no PRA se existem restrições sobre o veículo, como fermo amministrativo, hipoteca, penhora ou outros gravames.

3. O seguro obrigatório entra na conta desde o início

O preço do carro não inclui uma despesa indispensável: a RC Auto, cobertura de responsabilidade civil obrigatória para veículos.

Segundo o IVASS, órgão que supervisiona o mercado de seguros na Itália, o proprietário precisa contratar a cobertura de responsabilidade civil exigida para o veículo. Ela cobre, dentro dos limites da apólice, danos materiais e pessoais causados a terceiros.

O valor pode variar bastante conforme seguradora, perfil do condutor, local de residência, histórico de sinistros e características do veículo. Por isso, o custo anual do seguro deve ser considerado antes de escolher o automóvel, e não apenas depois da compra.

4. Existe um imposto anual sobre o carro

Quem possui um veículo na Itália também precisa considerar o bollo auto, tributo cobrado periodicamente sobre o veículo registrado.

O valor depende principalmente da potência em quilowatts e da classe ambiental do automóvel. Como o bollo é um tributo regional, regras, benefícios e valores podem variar de uma região para outra.

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Isso faz diferença na escolha do modelo. Um carro mais potente ou pertencente a uma classe ambiental menos favorável pode gerar uma despesa anual maior, mesmo quando o preço de compra é atraente.

5. Carros potentes podem pagar também o superbollo

Além do bollo, veículos de potência elevada podem estar sujeitos ao superbollo, uma cobrança adicional nacional.

A regra atual prevê €20 por quilowatt que ultrapassar 185 kW em veículos novos. O valor diminui conforme a idade do automóvel: cai para 60% depois de cinco anos, 30% depois de dez e 15% depois de quinze. Após vinte anos, a cobrança deixa de ser devida.

No outro extremo, veículos elétricos podem ter benefícios no bollo, mas as regras variam regionalmente. Na Toscana, por exemplo, carros elétricos têm isenção por cinco anos a partir da primeira matrícula. Depois desse período, pagam um quarto do valor previsto para o veículo equivalente a gasolina.

Para quem pretende comprar carro na Itália, portanto, o preço de tabela é apenas o ponto de partida. Financiamento, transferência, seguro e impostos podem alterar de forma significativa o custo real de manter o veículo no país.

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