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Brasileiro tem fama, mas italianos ficam na lanterna em ranking de educação entre turistas

Brasileiro carrega fama de falar alto, improvisar regras e transformar qualquer passeio em excursão de família. Mas, em levantamento com operadores de safári na África, foi a Itália que terminou na lanterna quando o assunto era boa educação.

Turistas desembarcam de avião durante viagem de safári na África, segmento analisado pelo levantamento sobre comportamento de viajantes | Foto: Cheryl Ramalho/Depositphotos
Turistas desembarcam de avião durante viagem de safári na África, segmento analisado pelo levantamento sobre comportamento de viajantes | Foto: Cheryl Ramalho/Depositphotos

Existe uma espécie de Olimpíada informal do turista inconveniente. Quem fala alto? Quem chega atrasado? Quem ignora a placa? Quem acha que “não pode” significa apenas “não pode se o fiscal estiver olhando”?

No Brasil, não faltaria gente pronta para apontar o dedo para o próprio passaporte.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

Só que, desta vez, o verde-amarelo pode ficar discretamente guardado no bolso. Em um levantamento divulgado pela SafariBookings, plataforma especializada em safáris na África, os italianos ficaram na última posição entre as nacionalidades citadas pelos operadores quando a pergunta era quais turistas eram considerados os mais educados.

Antes que algum brasileiro comece a cantar vitória, porém, há um detalhe importante: o Brasil não aparece no ranking divulgado. Portanto, cientificamente falando, ainda não recebemos o certificado internacional de bons modos. Apenas escapamos desta prova.

Italianos levam a lanterninha

A SafariBookings ouviu 192 operadores de turismo e perguntou, entre outras coisas, quais nacionalidades eram consideradas mais educadas, quais davam as melhores gorjetas, quais gastavam mais, quais eram mais aventureiras e quais demonstravam maior interesse por gastronomia.

Na categoria educação, o Japão ficou muito à frente, com 21,1% das menções. Noruega apareceu em segundo lugar, com 10,6%, seguida pela Suíça, com 10,4%.

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Lá no fim da tabela veio a Itália. Os italianos receberam apenas 1,3% das indicações como os turistas mais educados, atrás de Austrália, Espanha, China e França.

Ou seja, o país que ensinou ao mundo como tomar café, discutir futebol usando as duas mãos e reclamar corretamente do ponto da massa não conseguiu convencer os operadores de safári de que também domina a arte da etiqueta turística.

Há, contudo, uma diferença importante. O estudo não perguntou diretamente quem são os turistas mais mal-educados. Os participantes indicaram quem consideravam os mais educados. Ficar em último lugar significa que poucos escolheram os italianos como exemplo de boas maneiras, não que 98,7% dos operadores tenham declarado guerra ao turista italiano.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

É uma diferença menos divertida para a manchete, mas bastante importante para a precisão.

Pelo menos eles topam aventura

A Itália melhora de vida quando a pergunta muda.

Entre os turistas considerados mais aventureiros, os italianos ficaram em sétimo lugar, com 6,4%. A Alemanha liderou essa categoria, com 21,1%, seguida por França e Holanda.

Na gastronomia, terreno em que um italiano naturalmente entra em campo acreditando jogar em casa, veio outra pequena surpresa.

A Itália ficou em sexto lugar, com 7,6%. Indianos lideraram com 18,7%, seguidos por japoneses, franceses, chineses e holandeses.

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Talvez o problema seja conceitual. Para um italiano, provar a culinária local pode ser uma aventura. Mas encontrar alguém colocando ketchup onde não deveria provavelmente já conta como experiência radical.

Americanos abrem a carteira

Se educação foi território japonês, na hora de colocar a mão no bolso os Estados Unidos dominaram.

Os americanos receberam 29,5% das menções como os turistas que dão as melhores gorjetas e também lideraram entre os que mais gastam durante a viagem, com 24%.

A metodologia levou em consideração o volume de consultas por país registrado pela própria SafariBookings e aplicou pesos para equilibrar nacionalidades com volumes diferentes de clientes. Alguns operadores também puderam mencionar mais de uma nacionalidade.

Portanto, não se trata de um censo mundial da falta de educação, muito menos de autorização para observar um italiano no aeroporto e imediatamente esconder a fila. É um retrato da percepção de profissionais que trabalham com safáris africanos.

Ainda assim, para os brasileiros acostumados a ouvir piadas sobre nossa suposta indisciplina, fica um pequeno consolo.

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Desta vez, quando alguém perguntou quem estava no fim da fila, havia um italiano por lá. E, esperamos, sem furá-la.

Os turistas considerados mais educados

Percentual de menções feitas por operadores de turismo ouvidos pela SafariBookings.

  1. 🇯🇵 Japão 21,1%
  2. 🇳🇴 Noruega 10,6%
  3. 🇨🇭 Suíça 10,4%
  4. 🇨🇦 Canadá 9,2%
  5. 🇺🇸 Estados Unidos 8,7%
  6. 🇵🇱 Polônia 8,2%
  7. 🇳🇱 Holanda 8,1%
  8. 🇩🇪 Alemanha 5,7%
  9. 🇬🇧 Reino Unido 5,7%
  10. 🇫🇷 França 3,3%
  11. 10º 🇨🇳 China 3,2%
  12. 11º 🇪🇸 Espanha 2,3%
  13. 12º 🇦🇺 Austrália 2,1%
  14. 13º 🇮🇹 Itália 1,3%
Importante: o Brasil não aparece no ranking divulgado. A pesquisa perguntou quais nacionalidades eram consideradas mais educadas, portanto a última posição não significa, literalmente, uma eleição dos “mais mal-educados”.

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