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Cidadania

Partido de Salvini mira cidadania de jovens nascidos na Itália e propõe novas restrições

Projeto da Liga pode impedir aquisição da cidadania após condenações, exigir italiano B1 e ampliar casos de revogação; texto ainda está em discussão na Câmara.

Matteo Salvini, líder da Liga, partido que propõe novas restrições às regras de cidadania italiana
Matteo Salvini, líder da Liga, partido que propõe novas restrições às regras de cidadania italiana

A Lega, partido liderado por Matteo Salvini, tenta avançar no Parlamento com um projeto que endurece as regras para aquisição e revogação da cidadania italiana. Entre os principais alvos estão estrangeiros nascidos na Itália que chegam à maioridade após viver legalmente e de forma contínua no país.

A proposta C. 2124, apresentada pelo deputado Igor Iezzi e outros parlamentares da Lega em outubro de 2024, cria impedimentos relacionados a condenações criminais e segurança nacional, além de ampliar a exigência de conhecimento da língua italiana.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

O texto ganhou novo impulso em julho, quando a Câmara aprovou sua tramitação em regime de urgência. Nesta quarta-feira, 9 de setembro, a Comissão de Assuntos Constitucionais deve realizar novas audiências sobre a proposta, com representantes de entidades e sindicatos. Não está prevista, por enquanto, votação definitiva do projeto nessa data.

Condenação poderá barrar cidadania

Hoje, o estrangeiro nascido na Itália que tenha residido legalmente e sem interrupções no país até completar 18 anos pode declarar, dentro do prazo previsto pela legislação, que deseja adquirir a cidadania italiana.

A proposta da Lega acrescenta obstáculos a esse mecanismo.

Pelo texto, uma condenação por crimes contra a pessoa ou contra o patrimônio poderá impedir a aquisição da cidadania. A restrição também alcançaria condenações pelo artigo 73 da legislação italiana sobre drogas, que abrange produção, tráfico, venda e outras condutas ilícitas relacionadas a entorpecentes.

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A lista é abrangente. Entre os crimes contra a pessoa e o patrimônio estão diferentes tipos penais, de homicídio e violência sexual a furto, roubo, extorsão e dano.

Também poderá haver impedimento quando existirem “motivos comprovados relativos à segurança da República”, segundo o texto apresentado à Câmara.

Processo criminal suspenderia aquisição

O projeto também prevê a suspensão do procedimento quando o interessado responder a processo penal por um dos crimes especificados.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

Nesse caso, a aquisição da cidadania ficaria suspensa até o arquivamento do processo ou uma sentença definitiva de absolvição. A reabilitação penal faria cessar os efeitos impeditivos de uma condenação.

A mudança atinge diretamente jovens que nasceram e cresceram na Itália, mas não receberam automaticamente a cidadania italiana ao nascer.

Italiano B1 também seria exigido

Outra alteração relevante envolve o idioma.

A proposta inclui expressamente quem adquire a cidadania por ter nascido e residido continuamente na Itália entre as categorias sujeitas à comprovação de conhecimento da língua italiana, em nível não inferior ao B1.

O texto também elimina algumas dispensas atualmente previstas e determina expressamente que o juramento de cidadania seja feito em italiano.

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Lega quer ampliar revogação da cidadania

A proposta não trata apenas da aquisição.

O projeto amplia os crimes que podem levar à revogação da cidadania nos casos aos quais esse mecanismo legal já se aplica.

Além das atuais hipóteses ligadas principalmente a terrorismo e subversão da ordem constitucional, seriam incluídas condenações definitivas por homicídio, mutilação genital feminina, tráfico de pessoas, violência sexual, violência sexual contra menores e violência sexual coletiva.

A relatora do projeto, Simona Bordonali, da Lega, defendeu ao Open que as diferentes modalidades de aquisição da cidadania tenham regras mais uniformes. Segundo ela, a cidadania deve representar o resultado de um processo de integração. “Espero que também a oposição compreenda que a cidadania deve ser o resultado de uma integração e não um início”, afirmou Bordonali.

Projeto ainda pode mudar

As restrições não estão em vigor.

A C. 2124 continua em exame na Câmara dos Deputados e pode ser alterada durante a tramitação parlamentar. Depois da análise em comissão, ainda precisará passar pelo plenário da Câmara e pelo Senado para se transformar em lei.

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Para quem busca o reconhecimento da cidadania italiana por descendência fora da Itália, o ponto também merece atenção: o núcleo dessa proposta não é uma nova restrição ao ius sanguinis. O texto se concentra sobretudo na aquisição por estrangeiros nascidos na Itália, na naturalização, nos requisitos linguísticos e nas hipóteses de revogação.

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