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Cidadania

Decreto Tajani ainda pode enfrentar novas contestações sobre cidadania, diz associação italiana de juristas

Centro Studi Livatino sustenta que decisão da Corte Constitucional não encerrou a disputa e aponta fundamentos para novas ações contra as restrições ao iure sanguinis.

Mauro Ronco, professor emérito de Direito Penal e presidente do Centro Studi Rosario Livatino | Foto: Divulgação
Mauro Ronco, professor emérito de Direito Penal e presidente do Centro Studi Rosario Livatino | Foto: Divulgação

O decreto Tajani ainda pode enfrentar novas contestações nos tribunais italianos e europeus. É o que sustenta o Centro Studi Rosario Livatino em uma análise publicada nesta terça-feira, 8 de setembro, sobre as restrições impostas à cidadania italiana por descendência.

O texto, assinado pelo jurista Stefano Nitoglia, afirma que o ponto central da disputa não é apenas o novo limite de gerações. A questão seria saber se uma lei posterior pode atingir retroativamente uma cidadania que, segundo a jurisprudência invocada pela associação, já existiria desde o nascimento.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

O Centro Studi é categórico nesse ponto. A cidadania por iure sanguinis seria um “direito perfeito e preexistente desde o nascimento”, e não uma simples expectativa de direito.

Na análise, esse direito é descrito ainda como “permanente, imprescritível e reivindicável a qualquer momento”. A tese é fundamental porque, se a cidadania já existia antes da reforma, a discussão deixa de ser apenas sobre novas regras para aquisição e passa a envolver os efeitos da lei sobre um status anteriormente formado.

Centro contesta argumento usado para defender a reforma

O Centro Studi Livatino também questiona a tese de que seria necessária uma ligação substancial do descendente com a comunidade política italiana.

A associação lembra que os italianos residentes no exterior participam das eleições, podem votar, ser eleitos e integrar partidos políticos.

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O texto também contesta o argumento de que o crescimento do número de cidadãos no exterior teria peso significativo sobre a formação do Parlamento.

Segundo os números apresentados pela associação, a Circunscrição Exterior elege 12 dos 600 parlamentares italianos, o equivalente a 2% do total. A América do Sul, onde estão Brasil e Argentina, elege três parlamentares, correspondentes a 0,5% das cadeiras.

Associação vê conflito entre as Cortes

Outro ponto destacado pelo Centro Studi Livatino é a relação entre a jurisprudência da Corte Constitucional e a da Corte de Cassação.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

A análise sustenta que a Cassação reafirmou, poucos dias depois da decisão 63/2026 da Corte Constitucional, que a cidadania adquirida por nascimento é um direito existente desde o nascimento, permanente e imprescritível.

Para o Centro, há um “relevante conflito interpretativo” entre as duas linhas jurisprudenciais.

É justamente essa divergência que, segundo a associação, justificaria uma nova análise da constitucionalidade das restrições.

Novas ações seriam possíveis

O Centro Studi Livatino sustenta ainda que a decisão 63/2026 não impede que outros juízes voltem a encaminhar questões à Corte Constitucional.

Novas contestações poderiam ser formuladas com fundamentos diferentes ou mais amplos, especialmente sobre os efeitos retroativos da reforma, a razoabilidade das limitações impostas, o direito da União Europeia, tratados internacionais e normas de direito internacional.

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A associação aponta ainda uma frente relacionada à proibição da privação arbitrária da cidadania, que poderia ser explorada em futuras ações sob uma fundamentação constitucional diferente.

Discussão também chegou à Justiça europeia

A análise lembra que outra frente permanece aberta no âmbito da União Europeia.

Segundo o Centro Studi, a compatibilidade das novas regras com normas europeias sobre cidadania foi submetida ao Tribunal de Justiça da União Europeia.

Para a entidade, essa discussão reforça a tese de que os efeitos da reforma ainda não estão juridicamente consolidados.

A conclusão do Centro Studi Livatino é direta: sobre o decreto Tajani, “a palavra definitiva ainda não foi dada”.

A associação sustenta, portanto, que a batalha jurídica sobre a cidadania italiana por descendência continua aberta e que novos processos podem levar novamente ao exame dos tribunais os limites impostos pela reforma.

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Imagem atual: Stefano Nitoglia, jurista que assina a análise publicada pelo Centro Studi Livatino sobre o decreto Tajani | Foto: Divulgação
Rosario Livatino, magistrado italiano assassinado pela máfia em 1990 e que dá nome ao Centro Studi Livatino | Foto: Divulgação

Quem é o Centro Studi Livatino

O Centro Studi Rosario Livatino é uma entidade italiana criada em 2015 e formada por magistrados, advogados, professores universitários e notários. O grupo leva o nome de Rosario Livatino, juiz siciliano assassinado pela máfia em 1990 e beatificado pela Igreja Católica em 2021.

Com sede em Roma, o Centro atua na análise de temas jurídicos e institucionais, com atenção especial a direito à vida, família, liberdade religiosa e limites da atuação do Judiciário. A entidade promove congressos e seminários, acompanha decisões de tribunais italianos e europeus, participa de debates jurídicos e mantém a revista especializada L-Jus.

O presidente é Mauro Ronco, professor emérito de Direito Penal. Entre os dirigentes estão magistrados e professores de Direito Constitucional. O advogado Stefano Nitoglia, autor da análise sobre o decreto Tajani, integra o Conselho de Secretaria da entidade.

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Especiais do Italianismo

1 Comentário

1 Comentário

  1. Jicxjo

    Vivemos tempos no Direito em que falar o óbvio se tornou revolucionário, tamanha a invasão do campo pela mais rasteira filosofia utilitarista. Na Itália e no Brasil, precisamos parar com essas “acochambrações” hermenêuticas casuístas, e reaprender a respeitar princípios e conceitos.

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