A secretária do Partido Democrático (PD), Elly Schlein, afirmou neste domingo (13) que a centro-esquerda italiana deve estar preparada para disputar o governo e defendeu que o país vá às urnas o quanto antes.
No discurso que encerrou a Festa Nacional de l’Unità, em Reggio Emilia, Schlein reivindicou para o PD um papel central na coalizão progressista que tenta construir uma alternativa ao governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.
Segundo Schlein, o PD é o primeiro partido da coalizão e seu eixo político. A dirigente disse que a legenda pretende colocar essa força a serviço de um projeto mais amplo e unitário.
Schlein afirmou ainda que o partido estará preparado independentemente da data escolhida para as próximas eleições gerais. Para ela, quanto antes o país for às urnas, melhor. A líder democrata também admitiu a possibilidade de eleições antecipadas.
Programa antes da disputa pela liderança
A fala ocorre enquanto os partidos de oposição discutem como organizar o chamado campo largo, aliança que reúne principalmente PD, Movimento 5 Estrelas (M5S) e Aliança Verdes e Esquerda (AVS), além de outras forças de centro-esquerda.
Para Schlein, a prioridade agora deve ser acelerar a elaboração de um programa comum. A escolha de quem comandará a coalizão deve vir depois.
Caso não haja acordo entre os partidos, a dirigente admite a realização de primárias. Em Reggio Emilia, mostrou confiança no peso eleitoral do PD e disse que a legenda não teme uma disputa interna pela liderança da coalizão.
Schlein também anunciou que uma das propostas do futuro programa será a revogação da lei Bossi-Fini, norma de 2002 que está entre os principais marcos da legislação italiana sobre imigração.
Ataque a Meloni e disputa sobre a lei eleitoral
A secretária do PD também dirigiu críticas ao governo Meloni. Segundo ela, a atual maioria teve força parlamentar para promover mudanças profundas durante a legislatura, mas não conseguiu melhorar concretamente a vida dos italianos.
Schlein acusou ainda o governo de tentar alterar as regras eleitorais por receio de perder a próxima disputa. O tema virou um dos principais pontos de confronto entre governo e oposição.
O PD promete atuar junto com as demais legendas oposicionistas contra pontos da reforma eleitoral defendida pela maioria.
Ucrânia ainda divide Schlein e Conte
Apesar do discurso de unidade, uma divergência importante permanece aberta: a guerra na Ucrânia.
Schlein reiterou que o PD continuará apoiando a Ucrânia diante da invasão russa. A posição entra em choque com a linha defendida pelo líder do M5S, Giuseppe Conte, que pede o fim do envio de armas a Kiev.
A diferença deverá ser uma das questões mais delicadas na definição do programa da coalizão para as próximas eleições.
A Festa Nacional de l’Unità foi realizada em Reggio Emilia entre 1º e 13 de setembro.
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