Paulo Sérgio Scudiere Angioni, um dos dirigentes mais experientes do futebol brasileiro, morreu no sábado, 12 de setembro, no Rio de Janeiro, aos 80 anos. Ele era diretor executivo de futebol do Fluminense e tratava um câncer no pâncreas.
A morte foi confirmada pelo Fluminense, clube do qual era torcedor e onde vivia sua quarta passagem. A Confederação Brasileira de Futebol também lamentou o falecimento e destacou o papel de Angioni na profissionalização da gestão do futebol no país.
Filho de Elza Scudiere Angioni, nascida em Napoli, no sul da Itália, Angioni tinha ascendência italiana direta. Em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em janeiro de 2000, quando trabalhava no Palmeiras em parceria com a Parmalat, ele afirmou que, na época, ainda não havia solicitado a cidadania italiana, mas que pretendia fazê-lo.
Não há, porém, confirmação pública de que o dirigente tenha concluído o processo e obtido o reconhecimento da cidadania italiana.
Quatro décadas no futebol
Natural do Rio de Janeiro, Angioni nasceu em 5 de junho de 1946, segundo a CBF. Formado na área de psicologia e administração esportiva, construiu uma carreira de mais de 40 anos no futebol.
A entidade informou que ele passou por Palmeiras, Flamengo, Vasco, Bahia, Corinthians e Olaria. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro registrou ainda que Angioni iniciou a carreira no início dos anos 1980, após deixar o Municipal, da Tijuca, para trabalhar no Vasco, onde permaneceu por 14 anos.
Depois, consolidou-se como dirigente em uma época em que o cargo de diretor executivo ainda não tinha o peso que passaria a ter no futebol brasileiro.
No Flamengo, trabalhou em um período de dificuldades financeiras do clube e ganhou respeito pela capacidade de diálogo com jogadores e treinadores. No Palmeiras, esteve ligado à fase da co-gestão com a Parmalat, uma das mais vitoriosas da história recente do clube.
Também trabalhou no Corinthians, no Bahia e no Olaria. No Fluminense, teve quatro passagens. A última começou em 2018 e foi marcada pela reconstrução esportiva do clube.
Passagem pela Seleção Brasileira
Além dos clubes, Angioni trabalhou na CBF e foi supervisor da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1990, disputada na Itália. A FERJ também registra que ele atuou na Seleção em 1989 e 1990.
Naquele Mundial, a equipe comandada por Sebastião Lazaroni foi eliminada nas oitavas de final após derrota por 1 a 0 para a Argentina, em Turim.
A CBF informou que decretaria um minuto de silêncio nos estádios do Brasil em homenagem ao dirigente. A FERJ também anunciou homenagem nas partidas profissionais e de base do fim de semana.
Reconstrução no Fluminense
A fase final da carreira foi no Fluminense. A partir de 2018, Angioni participou da montagem de elencos que recolocaram o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro e sul-americano.
Nesse período, o Fluminense conquistou os Campeonatos Cariocas de 2022 e 2023, a Copa Libertadores de 2023 e a Recopa Sul-Americana de 2024. O clube também venceu a Taça Rio de 2020 e as Taças Guanabara de 2022, 2023 e 2026.
Em nota, o Fluminense afirmou que Angioni foi um dos principais responsáveis por essas conquistas e destacou sua contribuição à formação de jovens atletas.
O sepultamento ocorreu no Cemitério do Catumbi, no Rio de Janeiro.
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