Durante anos, turistas pagaram até 40 euros para visitar o que acreditavam ser um antigo sítio arqueológico nas colinas de Vicenza, no norte da Itália. O problema é que o suposto anfiteatro romano havia sido construído praticamente do zero, com materiais modernos.
O responsável pela atração, Franco Malosso, de 69 anos, também conhecido como Franco ou Franz von Rosenfranz, acabou condenado a dois anos e quatro meses de prisão por crimes relacionados à construção abusiva e à falsificação. Ele cumpre a pena em uma prisão na Ligúria desde janeiro deste ano.
O complexo ficava em Arcugnano, nos Colli Berici, nos arredores de Vicenza, e era chamado de Anfiteatro Marittimo Berico ou Porto degli Angeli.
Malosso dizia que o sítio havia sido revelado depois de um deslizamento de terra e atribuía à área uma história que atravessava diferentes períodos, do Neolítico à Roma Antiga.
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Júlio César, Cleópatra e até Julieta
A narrativa apresentada aos visitantes incluía personagens como Júlio César e Cleópatra, que supostamente teriam passado pelo lugar. Havia ainda referências a Julieta, personagem de “Romeu e Julieta”.
O cenário ajudava a tornar a história convincente. Havia arquibancadas de pedra, colunas, estátuas e um pequeno lago.
Só que as investigações descobriram uma realidade bem menos antiga.
As estruturas haviam sido feitas com materiais contemporâneos. Entre eles estavam concreto, gesso, poliestireno e pedras recém-extraídas, algumas delas submetidas a técnicas para parecerem envelhecidas.
A investigação começou em 2016. A Soprintendenza responsável pelo patrimônio arqueológico concluiu que a estrutura era moderna e que não havia evidências de um antigo anfiteatro naquele ponto. O complexo também havia sido construído sem as autorizações urbanísticas necessárias.

Fraude chegou a guia oficial de turismo
Talvez o detalhe mais curioso do caso seja que a história não enganou apenas turistas.
O falso sítio arqueológico chegou a aparecer em uma publicação turística e em um aplicativo produzidos pelo consórcio de promoção “Vicenza è” e pelo Gal Terra Berica. A publicação trazia logotipos da União Europeia, da Região do Vêneto e de fundos europeus de desenvolvimento rural.
Foram impressos cerca de 3.000 exemplares da guia antes que a autenticidade da atração fosse questionada.
Há ainda outra ironia: apesar de ser chamado de “anfiteatro”, o edifício tinha formato semicircular. Tecnicamente, portanto, parecia mais um teatro. Anfiteatros romanos, como o Coliseu, têm arena cercada pelas arquibancadas. A própria imprensa de Vicenza já apontava a diferença em 2016.
A Justiça ordenou a recuperação da área, mas a estrutura permanece nas colinas de Arcugnano. Segundo o atual prefeito, Simone Cuomo, a demolição e a restauração do terreno podem custar entre 300.000 e 500.000, criando agora outro problema: definir quem pagará a conta.






































