Antonio Tajani, vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália, é conhecido por suas declarações criativas durante aparições públicas. Mas na Giornata dell’Africa 2026, realizada na sede da Enciclopédia Treccani em Roma, nesta semasna, parece ter se superado — e de longe.
Querendo demonstrar os laços históricos entre a Europa e o continente africano, Tajani recorreu a um argumento de peso: o próprio sobrenome. “Tajani, Tijani: Tijani era um profeta do Islã muito conhecido na África, não só no norte, mas também na África central, no Marrocos”, disse ao microfone. “Muitos fiéis muçulmanos vão ao túmulo de Al-Tijani. E isso quer dizer que alguém que veio de lá chegou aqui. Os laços entre nossos continentes são tão fortes e antigos que não podemos negá-los.”
A internet italiana não esperou nem o fim do discurso.
O problema com a teoria
Ahmad al-Tijani, o personagem evocado pelo ministro, não é exatamente um profeta do Islã. É um estudioso e místico sufi argelino que viveu entre 1735 e 1815 e fundou a Tijaniyya, uma das confrarias islâmicas mais difundidas no mundo. Chamar o fundador de uma ordem sufi de “profeta” já seria suficiente para gerar debate em qualquer contexto.
Mas o problema maior está na etimologia. Nas redes sociais, e não apenas nelas, a versão que circula é outra: o sobrenome Tajani tem origem italiana, derivando de Taiano ou Ottaviano, variantes regionais comuns no sul da Itália. Nada a ver com o norte da África, com o Marrocos ou com qualquer confraternidade islâmica.
Em outras palavras: o ministro que assinou o Decreto Tajani, restringindo a cidadania de milhões de descendentes italianos no mundo com o argumento de que lhes faltava “vínculo efetivo” com a Itália, descobriu publicamente, e com entusiasmo, que talvez o próprio vínculo efetivo esteja no Marrocos.
A reação nas redes
A internet italiana reagiu à altura. Entre os comentários que circularam no X estavam “Il Grande Tony al-Taj Hani”, o Grande Tony al-Taj Hani, uma arabização do nome do ministro que o transforma em algo que soa como xeque do deserto, e “Piacere, Mohammed Esposito”, Prazer, Mohammed Esposito, combinação entre um prenome árabe e um dos sobrenomes mais típicos de Nápoles.
O mais curioso foi este: “Berluscallah è grande e Al-Tajani è il suo profeta!”, Berluscallah é grande e Al-Tajani é seu profeta. A fusão de Berlusconi com Allah transforma o ex-premier no deus de uma nova religião mediterrânea, e Tajani, fiel ao cargo de eterno vice, segue sendo apenas o profeta.
Enquanto Tajani estiver no cargo, o humor está garantido.







































