Lançada em 1946, durante a reconstrução da Itália após a Segunda Guerra Mundial, a Vespa chegou aos 80 anos consolidada como muito mais do que uma scooter. Símbolo do design italiano, da liberdade e de um estilo de vida que atravessa gerações, a marca reuniu neste sábado (27) milhares de apaixonados em Roma para uma celebração histórica.
O evento ressaltou o papel da Vespa como um dos maiores embaixadores do Made in Italy no mundo. O ponto alto da programação foi o grande desfile pelas ruas da capital italiana.
Mais de 10 mil Vespas tomaram o centro histórico de Roma, reunindo cerca de 25.000 participantes de 67 países. O percurso passou por alguns dos cenários mais emblemáticos da cidade, como o Coliseu, o Fórum Romano e a Piazza Venezia, transformando a Cidade Eterna em uma vitrine da cultura, do design e da criatividade italianos.
Símbolo nacional
Para além de uma celebração entre colecionadores e admiradores, o aniversário da Vespa ganhou dimensão institucional. Na véspera do desfile, a primeira-ministra Giorgia Meloni recebeu, no Palazzo Chigi, o presidente executivo e o CEO do Grupo Piaggio, Matteo e Michele Colaninno.

Em publicação nas redes sociais, Meloni definiu a Vespa como “una eccellenza industriale” (uma excelência industrial) e uma das ícones italianas mais amadas no mundo. Segundo a premiê, celebrar os 80 anos da scooter é homenagear uma das histórias de maior sucesso do Made in Italy, que continua a fortalecer o soft power italiano.
Da reconstrução da Itália ao mundo
A história da Vespa começou quando a Piaggio, tradicional fabricante de aeronaves, precisou reinventar sua produção após ter suas fábricas devastadas durante a guerra. O empresário Enrico Piaggio encarregou o engenheiro aeronáutico Corradino d’Ascanio de desenvolver um veículo leve, econômico e fácil de conduzir.
O resultado foi uma scooter de linhas inovadoras que rapidamente democratizou a mobilidade no país. Seu desenho trouxe soluções inéditas, permitindo que mulheres a conduzissem usando saias, sem a necessidade de montar sobre o banco como nas motocicletas tradicionais.
Marco cultural
O reconhecimento mundial veio com o cinema, especialmente após Audrey Hepburn e Gregory Peck percorrerem as ruas de Roma em A Princesa e o Plebeu (1953). Depois disso, a scooter marcou presença em produções como La Dolce Vita, O Talentoso Ripley e, mais recentemente, na animação Luca.
Em oito décadas, a Piaggio produziu cerca de 20 milhões de unidades, hoje comercializadas em mais de 110 países. A marca também dialogou com a moda e a cultura pop por meio de colaborações com nomes como Christian Dior, Giorgio Armani e Justin Bieber.
Oito décadas de um ícone
As comemorações em Roma seguem até este domingo (28), incluindo exposições históricas, apresentações musicais, modelos raros do Museu Piaggio e uma edição especial inspirada no tradicional verde-pastel dos primeiros exemplares do pós-guerra.
O que nasceu como uma solução prática para a mobilidade na Itália do pós-guerra tornou-se um dos maiores símbolos do design italiano, preservando seu apelo entre diferentes gerações.




(Com informações da ANSA e do Grupo Piaggio)




































