Os graduados italianos que trabalham no exterior ganham cerca de 60% a mais do que os colegas que permanecem na Itália. O dado consta do relatório AlmaLaurea 2026 sobre graduação e emprego, elaborado a partir de uma amostra de mais de 335.000 graduados de 2025 e de quase 700.000 profissionais analisados quanto à inserção no mercado de trabalho.
A diferença mais expressiva aparece entre os formados de segundo nível (mestrados de dois anos e cursos de ciclo único) com cidadania italiana e diploma de ensino médio obtido na Itália. Cinco anos após a conclusão do curso, quem trabalha fora declara remuneração média líquida de € 2.941 por mês, contra € 1.840 de quem atua na Itália, uma vantagem de 59,9%.
O fosso já surge no primeiro emprego. Um ano após a graduação, a remuneração média no exterior é de € 2.290 líquidos mensais, 57,6% acima dos € 1.452 de quem permanece no mercado italiano.
O padrão se repete entre os graduados com cidadania estrangeira e diploma obtido fora da Itália. Nesse grupo, quem trabalha no exterior recebe em média € 2.595 cinco anos após o título, enquanto quem fica na Itália ganha € 1.834, valor quase idêntico ao dos italianos.
Emprego em alta, salários para trás
O relatório descreve um cenário de dois lados. O emprego dos graduados cresce: um ano após o título, trabalham 81,2% dos formados de primeiro nível que não seguem estudando e 80,8% dos de segundo nível. Em cinco anos, as taxas sobem para 91,7% e 94,4%, o maior valor em cerca de quinze anos para o segundo grupo.
As remunerações, porém, seguem mais baixas, e parte dos graduados considera o próprio salário inadequado para a função exercida. Segundo o estudo, o diploma aumenta as chances de emprego, mas já não basta para reter os jovens qualificados no país.
Quem sai e para onde vai
Entre os ocupados com diploma de ensino médio italiano, 3,7% trabalham no exterior um ano após a graduação e 4,5% após cinco anos. As maiores proporções aparecem em informática e tecnologias da informação (13%), no grupo científico (10,3%) e em engenharia industrial e da informação (9%).
A mobilidade é sobretudo europeia: 91,2% dos que atuam fora trabalham na Europa, principalmente em Alemanha, Suíça, Espanha, França, Bélgica, Países Baixos e Reino Unido. Entre os motivos da saída, 29,8% apontam a falta de oportunidades adequadas na Itália, 29,1% citam uma oferta atraente de empresa estrangeira e 11,5% mencionam a escassez de verbas para pesquisa no país.
Retorno improvável
A AlmaLaurea alerta que quem parte costuma ter desempenho universitário mais brilhante e inserção profissional mais rápida. Esses profissionais também declaram maior satisfação com o trabalho, sobretudo em perspectivas de ganho, carreira, autonomia, flexibilidade e contatos internacionais.
O retorno não está nos planos da maioria. Entre os italianos empregados no exterior, 37% consideram muito improvável voltar à Itália nos próximos cinco anos e 31,5% julgam o regresso pouco provável. Apenas 15,4% o classificam como muito provável.
O consórcio recomenda cautela na comparação salarial, que sofre influência do custo de vida e da difusão desigual do meio período. O quadro se insere em um atraso estrutural mais amplo: a Itália segue entre os países europeus com menos jovens graduados, com 31,1% na faixa de 25 a 34 anos, longe da meta europeia de 45% até 2030. (Com informações do Today.it)






































