O Tribunal de Veneza, historicamente o maior gargalo para os descendentes de italianos que buscam a cidadania italiana via judicial, vive uma revolução sem precedentes.
Dados obtidos pelo Italianismo revelam que, nos primeiros três meses de 2026 — e com o mês de março ainda em curso —, o tribunal já proferiu 4.304 sentenças (até esta quarta-feira, 25 de março).
O número é espantoso quando comparado ao último trimestre de 2025, quando foram registradas 1.100 sentenças. Isso representa um aumento de 291,2% na produtividade da corte em apenas três meses.
O motor da mudança: dinheiro extra
Não foi apenas “boa vontade” que acelerou os processos. O combustível dessa produtividade tem nome: PNRR (Plano Nacional de Retomada e Resiliência). O programa do governo italiano, financiado com fundos europeus, estabeleceu metas rígidas de redução de processos represados em troca de vultosos incentivos financeiros.
Na prática, o “dinheiro no bolso” dos magistrados falou mais alto. Com bônus atrelados à produtividade e ao cumprimento de prazos, os juízes italianos passaram a trabalhar em um ritmo fora do normal, priorizando a emissão de sentenças em bloco.
A força-tarefa: juízes “emprestados”
Para dar vazão ao volume de processos, o Tribunal de Veneza recebeu o reforço de 22 juízes temporários. Os magistrados foram designados de outras cortes, como Roma e Caserta, com atuação exclusiva para reduzir o acúmulo no tribunal vêneto.
Entre os juízes “emprestados”, Sabrina Bonanno e Marta Cappelluti se destacam pelo volume de decisões. Elas registraram 266 e 225 sentenças, respectivamente.
No total geral do tribunal, os maiores volumes de sentenças são:
Fulvio Tancredi, com 537 decisões (140,8%).
Mauro Brambullo, com 394 decisões (+196,2%).
Anita Giuriolo, com 336 decisões (+92%).
Silvia Zeminian, com 315 decisões (+150%).
Giuseppina Zito, com 270 decisões (114,3%).
Esses magistrados concentram os maiores números de sentenças nos três primeiros meses de 2026.

























































