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O ‘milagre’ de Veneza: força-tarefa faz produtividade do Tribunal saltar 291%

Com 4.304 sentenças emitidas apenas no primeiro trimestre de 2026, tribunal vêneto supera recordes históricos.

Veneza dispara mais de 290% em sentenças com força-tarefa e novos juízes
Veneza dispara mais de 290% em sentenças com força-tarefa e novos juízes

O Tribunal de Veneza, historicamente o maior gargalo para os descendentes de italianos que buscam a cidadania italiana via judicial, vive uma revolução sem precedentes.

Dados obtidos pelo Italianismo revelam que, nos primeiros três meses de 2026 — e com o mês de março ainda em curso —, o tribunal já proferiu 4.304 sentenças (até esta quarta-feira, 25 de março).

O número é espantoso quando comparado ao último trimestre de 2025, quando foram registradas 1.100 sentenças. Isso representa um aumento de 291,2% na produtividade da corte em apenas três meses.

O motor da mudança: dinheiro extra

Não foi apenas “boa vontade” que acelerou os processos. O combustível dessa produtividade tem nome: PNRR (Plano Nacional de Retomada e Resiliência). O programa do governo italiano, financiado com fundos europeus, estabeleceu metas rígidas de redução de processos represados em troca de vultosos incentivos financeiros.

Na prática, o “dinheiro no bolso” dos magistrados falou mais alto. Com bônus atrelados à produtividade e ao cumprimento de prazos, os juízes italianos passaram a trabalhar em um ritmo fora do normal, priorizando a emissão de sentenças em bloco.

A força-tarefa: juízes “emprestados”

Para dar vazão ao volume de processos, o Tribunal de Veneza recebeu o reforço de 22 juízes temporários. Os magistrados foram designados de outras cortes, como Roma e Caserta, com atuação exclusiva para reduzir o acúmulo no tribunal vêneto.

Entre os juízes “emprestados”, Sabrina Bonanno e Marta Cappelluti se destacam pelo volume de decisões. Elas registraram 266 e 225 sentenças, respectivamente.

No total geral do tribunal, os maiores volumes de sentenças são:

Fulvio Tancredi, com 537 decisões (140,8%).
Mauro Brambullo, com 394 decisões (+196,2%).
Anita Giuriolo, com 336 decisões (+92%).
Silvia Zeminian, com 315 decisões (+150%).
Giuseppina Zito, com 270 decisões (114,3%).

Esses magistrados concentram os maiores números de sentenças nos três primeiros meses de 2026.

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