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Picuso: por que o caso da cidadania italiana ganhou esse nome na Corte da UE

Nome de fantasia: entenda por que o caso da cidadania na UE se chama Picuso.

A Corte de Luxemburgo adota denominações fictícias para proteger a privacidade das pessoas envolvidas.
A Corte de Luxemburgo adota denominações fictícias para proteger a privacidade das pessoas envolvidas.

O processo C-816/26, que leva à Corte de Justiça da União Europeia a discussão sobre as novas regras da cidadania italiana por descendência, recebeu o nome oficial de Picuso.

Quem procurar uma pessoa ou uma família com esse sobrenome, porém, não encontrará necessariamente uma das partes envolvidas. Picuso é um nome completamente inventado pela própria Corte de Justiça para preservar a identidade das pessoas físicas ligadas ao processo.

Privacidade em Luxemburgo

Desde janeiro de 2023, a Corte de Justiça utiliza nomes fictícios nos reenvios prejudiciais que envolvem pessoas físicas.

Segundo o próprio tribunal, essas denominações são produzidas por um sistema informatizado, com inteligência artificial, que divide palavras em sílabas e as combina de maneira aleatória. Portanto, Picuso não é um pseudônimo escolhido pelos envolvidos nem oferece qualquer pista sobre seus nomes verdadeiros.

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O objetivo é permitir que o processo seja identificado e citado publicamente sem associar permanentemente o nome real de uma pessoa a uma causa judicial de repercussão internacional.

A ficha oficial do processo registra Picuso como o “nome corrente da causa”. O C-816/26 foi registrado em 23 de julho de 2026 e aparece como pendente perante a Corte de Justiça.

O caso por trás do nome

O processo nasceu do reenvio prejudicial determinado pela Corte Constitucional italiana na Ordinanza 147/2026.

A decisão suspendeu o julgamento sobre o artigo 3-bis da Lei 91/1992 e pediu que a Corte de Justiça esclareça se as novas regras italianas sobre cidadania por descendência são compatíveis com os artigos 9º do Tratado da União Europeia e 20 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.

Nesse tipo de procedimento, Luxemburgo não decide diretamente quem tem ou não direito ao reconhecimento da cidadania italiana. A Corte responde às questões sobre a interpretação do direito da União Europeia. Depois, caberá à Corte Constitucional italiana retomar o julgamento e aplicar a resposta ao caso nacional.

Na prática, “Picuso” é o nome que advogados, interessados e veículos de imprensa deverão acompanhar no portal da Corte para verificar os atos públicos do processo, como a marcação de eventual audiência, a apresentação de possíveis conclusões do advogado-geral e, posteriormente, a decisão.

A Corte esclarece que o processo tem uma fase escrita e pode ter uma fase oral. A realização de audiência e a apresentação de conclusões do advogado-geral não são automáticas, pois dependem de decisão do próprio tribunal.

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