A presença de chefs brasileiros tem impulsionado a expansão da gastronomia japonesa em Lisboa. Restaurantes recentes e casas já estabelecidas mostram como essa influência cresce na capital portuguesa.
Um dos exemplos é o After Dark, izakaya no Príncipe Real, comandado pelo chef paulistano Matheus Martins. O espaço funciona à noite no mesmo local do Boubou’s Sandwich Club e combina referências do Japão com experiências pessoais do chef.
Matheus afirma que o projeto surgiu após uma viagem ao Japão. “Eu já tinha a ideia do izakaya há muito tempo, e, após uma viagem para o Japão conseguimos colocar em prática neste ano”, disse.
A relação do chef com a culinária japonesa começou ainda na infância, em São Paulo, especialmente no bairro da Liberdade, conhecido pela tradição gastronômica japonesa.
Influência brasileira na cozinha japonesa
A expansão desse tipo de cozinha em Portugal acompanha o aumento da imigração brasileira. Segundo Matheus, há um movimento claro de chefs brasileiros à frente de restaurantes japoneses em Lisboa.
Ele cita nomes como Habner Gomes, do Yoso, premiado com estrela Michelin, além de Lucas Azevedo, William Vargas e Gabriela Hatano.
“Você vê muitos chefs brasileiros trazendo essa vibe da gastronomia japonesa para Portugal”, afirmou.
Outro fator apontado é a qualidade dos produtos disponíveis no país. Segundo o chef, peixes, frutos do mar e carnes facilitam a execução de técnicas japonesas.
“A matéria-prima que temos acesso aqui tem uma qualidade muito alta”, disse.

Do sushi ao protagonismo em bairros tradicionais
Esse movimento também aparece fora das regiões centrais. Em Carnide, bairro conhecido por churrascarias, o Arashi Sushi Bar tem se destacado sob comando do chef carioca Vinícius Franco.
O restaurante aposta na combinação entre tradição japonesa e adaptação ao público local. A proposta inclui menus variados, desde opções acessíveis no almoço até degustações completas.
Vinícius destaca que a evolução da culinária japonesa em Portugal é recente, mas acelerada. “De um ano e meio para cá, a culinária japonesa está a evoluir muito”, afirmou.
Ele também aponta diferenças culturais entre os públicos brasileiro e português, especialmente no consumo. Segundo o chef, o modelo de rodízio comum no Brasil não tem a mesma adesão em Portugal.
Trajetórias e adaptação
Antes de chegar a Lisboa, Vinícius passou por diferentes regiões do Brasil, incluindo Roraima e Maranhão. Ele relata desafios logísticos no início da carreira, especialmente no acesso a insumos.
“Era muito trabalhoso, mas foi uma grande experiência”, disse.
Já em Portugal, o chef começou do zero e adaptou seu trabalho ao mercado local. O resultado foi a consolidação de um restaurante com identidade própria em uma região tradicionalmente associada à carne.

Crescimento contínuo
Com boa recepção do público, os chefs brasileiros seguem ampliando presença na cena gastronômica lisboeta.
Matheus Martins afirma que pretende continuar desenvolvendo o After Dark em Lisboa. “Quero me desenvolver aqui, crescer o After Dark e explorar novos conceitos no futuro”, disse.
O avanço desses profissionais indica uma mudança no perfil da gastronomia japonesa em Portugal, marcada pela combinação entre técnica, adaptação e influência brasileira.
Em tom bem-humorado, a nova fase da gastronomia pode ser resumida em uma inversão simbólica: depois da velha piada sobre o ouro, agora são os brasileiros que “devolvem” valor ao país com negócios, técnica e protagonismo na cozinha.






















































