Siga o Italianismo

Olá, o que deseja procurar?

Italianismo

Destinos

Patrimônio mundial; como Veneza foi construída

Veneza em construção. (Foto: Liparski/reprodução)

Até 1865 Veneza era parte do território austríaco

Tudo começou com a ocupação de ilhotas no nordeste da Itália. Para lá fugiram habitantes da região do Vêneto, temendo as hordas de bárbaros que tomaram conta da Europa a partir do século 5. As ilhas fizeram parte do Império Bizantino até o início do século 9, quando Veneza tornou-se independente. Logo, todas as áreas de terra firme das ilhas foram ocupadas e a cidade precisava crescer. A saída foi então avançar sobre as águas que separavam as ilhas. Para isso, os venezianos desenvolveram um sistema para aterrar as áreas alagadas anexas às porções de terra e assim foram estreitando a distância entre as ilhas, delineando canais e ganhando espaço para abrigar povoamentos maiores. Graças à localização privilegiada – no meio da rota entre o Oriente e o Ocidente -, excelentes navegadores e poderio militar, a cidade tornou-se um próspero centro mercantil e naval a partir do século 11. Essa condição só foi abalada quando os portugueses descobriram uma rota alternativa para o Oriente, circundando a África. Em 1797, com sua força militar já abalada, a cidade foi conquistada por Napoleão e, em seguida, passou a integrar o território austríaco. Só em 1866 foi incorporada à Itália.

ATÉ O SÉCULO 7: DESVIRGINANDO AS ILHAS


Bendita Cidadania


Bendita Cidadania

No meio de uma lagoa de água salgada com saída para o mar Adriático, 65 pequenas ilhas serviram de base para a formação da cidade atual. Os primeiros habitantes viviam basicamente da pesca e da extração de sal – fundamental para a conservação da carne dos peixes e um valioso produto de troca. As primeiras localidades densamente povoadas na lagoa não fazem parte do atual centro histórico de Veneza. As ilhas que correspondem hoje aos bairros de San Polo e San Marco – os principais da cidade atualmente – só bombaram em um período posterior a esse primeiro povoamento.

Caminho das águas
Veneza transformou água em solo e agora luta contra a revanche das marés

A PARTIR DO SÉCULO 9: PEDRA SOBRE PEDRA

A população aumentava e novos espaços tinham que ser criados para construções. A solução foi expandir as porções de terra firme e até criar novas ilhas por meio de aterramento. Essa estratégia de ocupação encurtou a distância entre algumas ilhas, formando canais e possibilitando o surgimento de construções maiores. Veneza só começou a ser construída pra valer em 810, quando Rialto virou o centro administrativo da cidade. Veja abaixo o passo a passo de como eram feitos os aterros:

1. Os novos limites foram traçados a partir de pilares de madeira. Eles tinham de 3 a 4,5 metros de comprimento e eram fincados no caranto, camada subterrânea de argila compactada. Os milhares de pilares enterrados e submersos até hoje ficam completamente sob a água. Sem contato com o ar atmosférico, eles não apodrecem

SIGA O ITALIANISMO


2. Tábuas de madeira colocadas em cima dos pilares serviam de apoio para blocos de pedras calcárias, extraídas de Ístria (atual território da Croácia). O fundamento de pedra barrava a passagem da água, possibilitando o posterior depósito de terra – extraída do fundo da lagoa – entre essa barragem e a ilha

3. Quando a terra chegava ao topo da barragem (pouco acima da água), paredes de tijolos eram erguidas, estabelecendo os novos limites da ilha. Dessa forma, surgiram canais estreitos entre as ilhas e passarelas foram construídas para conectar uma a outra. Mesmo assim, os barcos continuavam a ser o principal meio de locomoção

HOJE: PATRIMÔNIO EM RISCO

  • O centro histórico de Veneza ocupa hoje uma área de aproximadamente 7,6 km2 e é formado por 117 ilhas muito próximas, recortadas por 150 canais. Devido aos crescentes custos de moradia, inundações freqüentes e envelhecimento da população, o número de moradores caiu pela metade nos últimos 40 anos – são 62 mil, atualmente. Se continuar nesse ritmo, especialistas estimam que até 2030 Veneza seja uma cidade ocupada exclusivamente por turistas – 50 mil visitam a cidade diariamente.
  • Veneza tem 409 pontes. A do Rialto, inaugurada em 1591, foi a primeira a transpor o canale grande, que cruza a cidade inteira, e atinge até 106 metros entre uma margem e outra. Atualmente, é proibido construir novas pontes e edificações no centro histórico, para preservar a antiga estrutura da cidade.
  • Embora hoje seja possível cruzar a cidade a pé – carros, bicicletas, skates e afins são proibidos -, os venezianos ainda dependem muito das embarcações como meio de transporte. Além das tradicionais gôndolas, circulam pelos canais barcos particulares a motor ou a remo e o vaporetto, uma espécie de ônibus aquático.
  • • Enchentes são comuns na cidade, principalmente nos últimos cem anos, em que a cidade afundou quase 23 centímetros: 7,5 cm em função da elevação do nível das águas e mais de 15 cm em razão da compressão natural do solo somada à exploração de poços artesianos. Quando a maré sobe mais de 80 cm, locais mais baixos, como a praça San Marco, alagam.

Notícia publicada originalmente em Super Interessante 

Deixa o seu comentário:

Mais de Italianismo

Turismo

Mais da metade dos italianos está planejando suas férias de verão. Aqui estão as tendências deste ano

Cotidiano

A primeira rodovia inteligente na Itália já está em operação. E o futuro da mobilidade, em constante evolução no país, passa pela encantadora Cortina d’Ampezzo. Deixa...

Cotidiano

Grupo busca apoio para pressionar as autoridades italianas. Governo ainda não respondeu

Cotidiano

Carnaval Virtual de Veneza 2021: sem desfiles de máscaras, sem multidões e danças nos palácios

Cotidiano

Uma ciclovia suspensa e projetada para ser a mais bela da Itália: é o que promete Veneza, na Itália. Deixa o seu comentário:

Cotidiano

Verdadeiro ou falso? As incríveis fotos que ocupam o centro das atenções nas redes sociais

Destinos

Um percurso encantador, imerso em uma das vistas mais bonitas da Itália: essa é a ciclovia das Dolomitas. Deixa o seu comentário:

Destinos

A vacinação contra o covid-19 será o passaporte mais poderoso do mundo em 2021. Deixa o seu comentário: