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Ausência de campo na CNN causa prejuízo a famílias que buscam cidadania italiana

A ausência do campo “outras grafias” obriga famílias a emitirem múltiplas certidões com altos custos de tradução e apostilamento.

Sistema Data Naturalização, ativo desde setembro, trouxe mudanças nos pedidos de certidões para descendentes de estrangeiros.
Sistema Data Naturalização, ativo desde setembro, trouxe mudanças nos pedidos de certidões para descendentes de estrangeiros.

O novo sistema de emissão de certidões negativas de naturalização (CNN), em vigor desde 15 de setembro, trouxe mudanças que afetam diretamente brasileiros que buscam o reconhecimento da cidadania italiana.

Segundo especialistas, a nova plataforma do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) eliminou a possibilidade de incluir variações do nome do antepassado estrangeiro — o que tem gerado aumento significativo nos custos.

A queixa é de que, com a retirada do campo “outras grafias” no sistema Data Naturalização, os requerentes são obrigados a emitir múltiplas certidões quando há divergência nos nomes. Em muitos casos, um mesmo imigrante teve o nome registrado de 5 a 10 formas distintas ao longo da vida civil no Brasil.

Essa mudança eleva consideravelmente os gastos com tradução e apostilamento. Antes, uma família gastaria cerca de R$ 300 para emitir e validar uma única certidão. Com a nova regra, os custos podem ultrapassar R$ 2 mil, de acordo com o número de variações do nome e da complexidade da pasta familiar.

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Em 13 de outubro, o MJSP corrigiu parcialmente o sistema, permitindo novamente a inclusão do nome do pai nos pedidos. No entanto, a limitação sobre as grafias permanece, mesmo com o campo aparecendo nos protocolos. O sistema não permite edição, segundo relatos de usuários.

As respostas do Ministério, até o momento, indicam que “entendem que esta abordagem possa representar um passo adicional para o usuário em casos específicos”, tratando o problema como mera questão de conveniência. Para os afetados, porém, trata-se de um ônus financeiro inesperado e elevado, sem aviso prévio e sem justificativa técnica.

João Paulo Zago, consultor em cidadania italiana, explica que o sistema anterior, o e-Certidão, continha o campo para inserir variações do nome. “Não é nenhuma inovação tecnológica. É apenas reestabelecer algo que funcionava há mais de uma década”, afirma.

Zago defende que o Departamento de Migrações (DEMIG) e a Divisão de Naturalização (DINAT) corrijam o sistema. “A sociedade brasileira está sendo lesada com um alto custo gerado por uma mudança abrupta e desnecessária, que pode ser sanada com um ajuste simples”, diz.

Sem essa correção, milhares de brasileiros seguem enfrentando entraves financeiros e burocráticos em processos legítimos de reconhecimento de cidadania.

O Italianismo buscou uma resposta do Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas até o fechamento deste artigo não recebeu retorno.

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