O governo brasileiro reforçou os mecanismos de atendimento a vítimas de violência de gênero no exterior. A atualização do protocolo consular segue decisão do Supremo Tribunal Federal que define a violência doméstica como questão de interesse público.
As novas diretrizes ampliam a proteção a mulheres brasileiras fora do país. O foco está em casos que envolvem filhos e na formalização de denúncias, conforme a legislação local.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a violência de gênero é prioridade no atendimento consular. A orientação inclui também a violência vicária, quando o agressor utiliza os filhos para manter controle sobre a vítima.
O registro formal das denúncias passa a ser central. Esse procedimento pode comprovar situações de risco e auxiliar em disputas de guarda, inclusive no Brasil. A medida também dialoga com regras da Convenção da Haia, que tratam da retirada de menores entre países.
O protocolo determina que o atendimento seja feito de forma humanizada. O objetivo é acolher a vítima e avaliar suas necessidades no exterior e, quando necessário, no Brasil.
Consulados devem acionar serviços jurídicos e psicológicos quando disponíveis. Também há orientação para encaminhamento a instituições locais de apoio e abrigos. As repartições consulares devem manter um levantamento atualizado desses locais.
Em situações consideradas extremas, pode haver repatriação ao Brasil. Nesses casos, o Ministério das Relações Exteriores poderá ser acionado para avaliar a liberação de recursos, conforme os critérios estabelecidos.
Nos atendimentos por telefone, agentes consulares devem verificar se a vítima tem autonomia para se comunicar. Também há orientação para avaliar o acionamento das autoridades policiais e incentivar a denúncia.
Relato aponta aumento de casos na Itália
O cenário também é observado por associações que atuam no exterior. Na Itália, a presidente da Associazione BEM, Elisangela Batista da Silva, relata aumento nos casos de violência contra brasileiras.
“Isso (novo protocolo) chega em um momento de urgência. Eu falo aqui da Itália. A quantidade de mulheres brasileiras que têm sofrido violência e situações de abuso está em crescimento. Saber que o governo brasileiro está se preocupando com isso é, para nós, como associação, um grande alívio”, disse ao Italianismo.
A entidade atua no apoio direto às vítimas, mas enfrenta limitações estruturais.
“Nós, como associação, temos ajudado e amparado várias mulheres. Apesar de sermos pequenos, infelizmente ainda não temos um abrigo nem condições para acolher essas mulheres. Saber que o governo brasileiro está criando algo para mudar essa situação e enfrentar essa pauta de maneira correta e justa é muito importante”, comemorou.
A presidente defende maior integração entre associações, consulados e governo.
“Acredito que isso também representa um despertar para situações que nós, como associação, já vínhamos relatando. Enviamos propostas, e-mails e comunicações ao governo brasileiro sobre esses casos. O consulado brasileiro em Milão conta com psicólogo e advogado, e isso tem auxiliado e apoiado a nossa associação”, explicou Elisangela.
Ela também destaca a importância de ampliar o suporte às vítimas.
“Na associação, temos psicóloga e advogada brasileiras que ajudam essas mulheres. Mas, neste momento, o ideal é construir uma sinergia entre a nossa instituição, o governo brasileiro e o consulado. Assim, poderemos atuar de forma mais eficaz no apoio a essas mulheres, oferecendo a possibilidade de reinserção no mercado de trabalho e garantindo a elas dignidade para recomeçar a própria vida, além de proteção”.
A presidente aponta ainda dificuldades enfrentadas após separações.
“Infelizmente, muitas brasileiras, ao se separarem, acabam perdendo a guarda dos filhos. Isso acontece porque muitas não têm trabalho nem condições econômicas suficientes para mantê-los”, exemplifica.
Ela afirma que a associação orienta as mulheres sobre a necessidade de autonomia financeira.
“Como associação, temos orientado essas mulheres sobre a urgência de estudar e trabalhar no país onde vivem.”
A representante avalia positivamente a iniciativa do governo brasileiro.
“Fico muito feliz com essa notícia e espero que seja algo que fortaleça o trabalho de todos. Nós, como associação, nos colocamos à disposição tanto do governo brasileiro quanto do consulado para apoiar essa causa”, finalizou.
ONDE BUSCAR APOIO
Consulado brasileiro em Portugal (Lisboa)
Telefone: 21 135 8587
Consulado brasileiro na Itália (Roma)
Telefone: +39 06 6889 66270
Consulado brasileiro na Itália (Milão)
Telefone: +39 02 777 1071
Associação BEM (Itália)
Telefone: +39 351 763 4520
E-mail: [email protected]
Central de apoio italiano
Ligue para 1522
Central de Atendimento às Mulheres (Exterior)
WhatsApp: +55 61 9610-0180
E-mail: [email protected]























































