A Italcam reuniu nesta semana, em São Paulo, alguns dos principais nomes da relação econômica entre Itália e Brasil em uma missão com mais de 100 empresas e investimentos que podem chegar a R$ 90 bilhões nos próximos três anos. A agenda colocou lado a lado o vice-premiê italiano Antonio Tajani, o presidente da Confindustria, Emanuele Orsini, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e lideranças empresariais dos dois países.
No centro da articulação brasileira esteve a câmara presidida por Graziano Messana, que participou da organização dos encontros empresariais e da apresentação das oportunidades do mercado brasileiro à delegação italiana.
A programação reuniu ainda Matteo Zoppas, presidente da agência italiana de comércio exterior ICE, além de dirigentes da SACE e da SIMEST, dois dos principais braços financeiros da internacionalização empresarial italiana.
A capacidade de juntar quem decide
Sob a presidência de Messana, a Italcam assumiu papel ativo na preparação dos encontros B2B da missão, em colaboração com a ICE. A agenda envolveu empresas dos setores agroalimentar, farmacêutico e médico-hospitalar, máquinas e equipamentos, tecnologias digitais, transição energética e infraestrutura sustentável.
Messana também abriu a programação dedicada à apresentação dos cenários e oportunidades do Brasil, ao lado da diretora da ICE em São Paulo, Milena Del Grosso.
A composição da missão ajuda a dimensionar seu peso institucional. Tajani representa o governo italiano. Orsini comanda a principal organização da indústria do país. Zoppas dirige a agência encarregada de ampliar as exportações italianas. SACE e SIMEST têm capacidade financeira para apoiar novos projetos. Do lado brasileiro, a Fiesp concentra parte relevante da representação industrial do país.
Reunir esses atores em uma mesma agenda dá à Italcam um papel que vai além do protocolo e a coloca como ponto de conexão entre empresas, instituições e governos.
Da diplomacia aos negócios
Para Messana, a missão representa justamente a passagem de uma aproximação política para uma relação econômica mais concreta.
“O acordo UE-Mercosul sai das mesas da diplomacia e entra nas fábricas, nas alfândegas e nos balanços das empresas.”
Graziano Messana, presidente da Italcam
Messana também tem defendido que a Itália se movimenta como um “first mover” diante das novas oportunidades no mercado brasileiro.
Um levantamento preliminar citado por ele aponta que os investimentos de grupos italianos atualmente em curso no Brasil somam cerca de R$ 70 bilhões. Considerados compromissos anunciados para os próximos três anos, esse volume pode se aproximar de R$ 90 bilhões.
Os recursos estão concentrados em setores como tecnologia, infraestrutura, energia e serviços. Grupos como Almaviva, Zucchetti, Lynx e BIP realizaram aquisições no país, enquanto grandes companhias italianas já mantêm operações consolidadas no mercado brasileiro.
A Enel, por exemplo, soma € 13 bilhões em investimentos no Brasil e emprega diretamente cerca de 10 mil pessoas, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Itália. Tajani visitou as operações da companhia em São Paulo durante a missão.
O Brasil também ganhou status de mercado prioritário no plano italiano de expansão das exportações. As vendas italianas ao mercado brasileiro estão na casa de € 5,8 bilhões, segundo dados apresentados pelo presidente da ICE durante a missão.
A força de Messana à frente da Italcam
O protagonismo desta semana também reflete a expansão da entidade nos últimos anos.
Messana foi reconduzido em abril, por unanimidade, para um terceiro mandato à frente da Italcam, válido até 2029. Segundo dados divulgados pela própria instituição, desde 2020 o número de associados cresceu mais de 60% e o faturamento da câmara foi multiplicado por seis. A entidade também abriu novas frentes em Brasília e Mato Grosso.
A composição de sua direção mostra a proximidade com alguns dos maiores grupos italianos presentes no Brasil. Entre os vice-presidentes estão Cesar Alarcon, CEO da Pirelli, e Antonio Scala, CEO da Enel.
A missão desta semana reforçou esse posicionamento. Mais do que receber autoridades, a Italcam participou de uma agenda que conectou governo, indústria, financiamento e empresários dos dois lados do Atlântico.
Com o avanço da relação entre União Europeia e Mercosul, a busca italiana por novos mercados e a demanda brasileira por capital em infraestrutura, digitalização e transição energética, a câmara tenta ocupar um espaço central na transformação dessa aproximação em negócios concretos.
A dimensão da missão mostra que a Italcam deixou de ser apenas um ponto de apoio institucional para se consolidar como uma das principais pontes econômicas entre Itália e Brasil.
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