A Sicília é a região italiana com o maior número de cidadãos inscritos no AIRE, o cadastro dos italianos residentes no exterior. Em 1º de janeiro de 2025, a ilha reunia 842.107 registros, 13,1% do total nacional, segundo o Istat.
Na sequência aparecem Lombardia, Veneto, Campania, Lazio e Calabria. Juntas, as seis regiões somam 3.721.848 inscritos, quase 58% dos 6.420.678 cidadãos registrados no AIRE naquela data.
O dado ajuda a dimensionar o peso da diáspora italiana, mas também revela diferenças importantes entre as regiões. Enquanto a Sicília tem hoje a maior parte de seus inscritos na União Europeia, no Veneto e no Lazio a América Central e do Sul mantém participação muito mais elevada.
As seis regiões com mais inscritos no AIRE
| Posição | Região | Inscritos | Participação no total |
|---|---|---|---|
| 1º | Sicília | 842.107 | 13,1% |
| 2º | Lombardia | 692.257 | 10,8% |
| 3º | Veneto | 616.684 | 9,6% |
| 4º | Campania | 584.288 | 9,1% |
| 5º | Lazio | 522.404 | 8,1% |
| 6º | Calabria | 464.108 | 7,2% |
A liderança siciliana é expressiva. A região tem cerca de 150 mil inscritos a mais que a Lombardia, segunda colocada. O Veneto aparece em terceiro, à frente da Campania. Lazio e Calabria completam o grupo destacado pelo próprio Istat entre as regiões com os maiores contingentes.
O peso histórico do Sul da Itália
O ranking confirma o peso histórico da emigração do Mezzogiorno. Sul e ilhas concentram, juntos, 45% de todos os italianos residentes no exterior registrados nessa base, o equivalente a 2.890.623 pessoas. O Norte responde por 39,3% e o Centro, por 15,7%.
Mas a geografia da diáspora não é uniforme. Entre os inscritos vinculados à Sicília, 54,7% vivem em países da União Europeia, 18,5% na América Central e do Sul e 14,4% em outros países europeus.
No Veneto, a distribuição é diferente: 49,5% dos inscritos residem na América Central e do Sul, uma das proporções mais altas entre as regiões italianas. No Lazio, a mesma área reúne 44% dos inscritos, enquanto na Calabria a participação chega a 35,8%.
A Lombardia apresenta um perfil mais dividido. Dos seus 692 mil inscritos, 30,4% vivem em países europeus fora da União Europeia, 29,2% na América Central e do Sul e 28,3% dentro da UE. Segundo o Istat, Suíça e Reino Unido ajudam a explicar o peso dos países europeus não pertencentes ao bloco entre os lombardos registrados no AIRE.
Ranking do AIRE não é ranking de local de nascimento
Há uma distinção importante na leitura dos números. O Istat define a região AIRE de inscrição como a região de última residência associada ao registro. Portanto, o ranking não deve ser interpretado como uma contagem de pessoas nascidas em cada região.
Essa cautela é especialmente relevante porque a população italiana no exterior é formada, em grande parte, por pessoas nascidas fora da Itália. No fim de 2024, apenas 30,3% dos cidadãos italianos residentes no exterior haviam nascido em território italiano. Os demais 69,7% nasceram em outros países.
O quadro reflete tanto as ondas históricas de emigração quanto a presença de novas gerações de cidadãos italianos no exterior.
Sicília segue entre as principais regiões de saída
A posição da Sicília no topo do AIRE não é apenas um retrato das migrações do passado. Em 2025, cerca de 9 mil italianos que deixaram o país partiram da Sicília, 8% do total nacional. A ilha ficou atrás apenas da Lombardia, com cerca de 22 mil expatriados, e do Veneto, com 11 mil.
A Sicília também aparece entre os principais destinos de quem retorna à Itália. Dos cerca de 56 mil repatriados registrados em 2025, 10,1% foram para a ilha, segunda maior participação entre as regiões, atrás da Lombardia, com 18,4%.
Italianos no exterior já passam de 6,6 milhões
O levantamento do Istat mostra que a população italiana residente no exterior continuou crescendo ao longo de 2025. Em 31 de dezembro, chegou a 6.603.579 pessoas, segundo estimativa provisória, 183 mil a mais que no início do ano. A alta foi de 2,8%.
O instituto registrou 109 mil expatriados e cerca de 56 mil retornos à Itália em 2025. Também foram contabilizadas 127.477 aquisições de cidadania italiana no exterior.
É preciso observar que o total de 6,6 milhões se refere ao fim de 2025 e ainda é provisório. Já o ranking regional apresentado acima tem como data de referência 1º de janeiro de 2025. Misturar as duas bases produziria uma comparação incorreta.
Fonte: Istat, “Gli italiani residenti all’estero – Anno 2025”, publicado em 3 de setembro de 2026.







































Sicília vota na esquerda em peso. Lembra bem o nordeste do Brasil em miséria e bolsa família. O paralelo é igual.