A espera pelo reconhecimento da cidadania italiana tem gerado ansiedade, medo e desânimo entre descendentes que acompanham as mudanças recentes nas regras do processo. Em grupos dedicados ao tema, relatos de insegurança se tornaram frequentes, com participantes afirmando ter “perdido a esperança” diante das incertezas.
Para a psicóloga Cláudia Ferro, de Sorocaba, no interior de São Paulo, a forma como cada pessoa atravessa esse período depende da relação que constrói com a espera. A pedido do Italianismo, ela analisou publicações em grupos sobre cidadania italiana e orientou sobre como lidar emocionalmente com o processo.
Como lidar com a incerteza
O primeiro passo, segundo Cláudia, é reconhecer que a espera existe e que nem tudo está sob controle do requerente. A tentativa de antecipar respostas ou controlar todos os desdobramentos tende a aumentar a angústia.
A psicóloga recomenda diferenciar o que é possível fazer agora daquilo que depende de fatores externos (decisões administrativas, judiciais ou mudanças legislativas). Na prática: organizar documentos, buscar informação confiável e evitar exposição excessiva a comentários alarmistas em redes sociais.
“Para alguns, já está dado o veredicto: é uma perda de tempo. Para outros, o tempo de espera e as novas leis, que são para todos em uma situação análoga, são tomados na pessoalidade”, afirmou.
Não deixar a cidadania paralisar a vida
Cláudia destaca que a cidadania italiana representa, para muitos descendentes, mais do que um documento. O reconhecimento envolve história familiar, pertencimento, memória e planos de futuro.
“Todos tecem sonhos com a bendita e bem-vinda cidadania. Trata-se de um resgate da história, de pertencimento, de reconhecimento e de um outro lugar no mundo”, disse.
Por carregar esse peso simbólico, o processo pode gerar sofrimento quando há demora ou incerteza. A orientação é continuar fazendo planos possíveis, manter vínculos, cuidar da rotina e não transformar o reconhecimento em única fonte de esperança. Para quem sente que a ansiedade passou a afetar sono, trabalho ou relações, a recomendação é procurar ajuda profissional.
A espera como parte do caminho
A psicóloga cita o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, autor de “O aroma do tempo”, para defender a importância da contemplação em uma sociedade marcada pela pressa. “Estamos perdendo o poder da contemplação. A arte de demorar-se funciona como um antídoto para a aceleração neoliberal”, afirmou.
Para ela, a busca pela cidadania também pode ser vista como reconexão com a história dos antepassados. “Se hoje estamos atrás de nossos direitos como cidadãos italianos, é porque, em cada família, alguém há muito cruzou o oceano para constituir uma nova vida, uma família, uma história. É chegada a hora de escrevermos a continuidade dessa tecitura.”







































