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Imigração

Debate na TV italiana compara imigração na Itália e Espanha e o resultado “dói no coração”

Milena Gabanelli confrontou sistemas migratórios e fiscais dos dois países no TgLa7. Os dados vieram de Eurostat, Confindustria e outros.

Por que a Espanha integra imigrantes melhor que a Itália? TV italiana debateu com Milena Gabanelli
Por que a Espanha integra imigrantes melhor que a Itália? TV italiana debateu com Milena Gabanelli

A jornalista italiana Milena Gabanelli foi ao ar na última segunda-feira, 11 de maio, no TgLa7, com uma análise que gerou debate: por que a Espanha consegue integrar imigrantes ao mercado de trabalho melhor do que a Itália? A conversa com o apresentador Enrico Mentana percorreu dados de Eurostat, Confindustria, Osservatorio Conti Pubblici e Tea Group.

O diagnóstico foi direto. “O quadro no confronto Itália-Espanha, seja nas políticas do trabalho migratórias, fiscais e de investimentos, é infelizmente impiedoso, e digo isso com dor pelo meu país”, afirmou a respeitada Gabanelli.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

A vantagem espanhola vai além do idioma

A jornalista reconheceu que a Espanha parte de uma posição geográfica e cultural diferente. Quase metade da imigração espanhola vem de países sul-americanos, com língua e tradição em comum, o que permite a obtenção da cidadania em dois anos, contra dez na Itália.

Mas Gabanelli foi além: o segundo maior grupo de imigrantes na Espanha vem do Marrocos e de outras etnias africanas. A afinidade cultural, portanto, não explica tudo.

O nó da burocracia italiana

O ponto central da crítica recaiu sobre o sistema de cotas anuais para trabalhadores estrangeiros, o chamado “click day”. Na Espanha, segundo a jornalista, um empresário pode solicitar a contratação de um trabalhador de fora da União Europeia a qualquer momento, desde que siga os procedimentos regulares.

Na Itália, há apenas quatro datas fixas no ano. Quem precisa de trabalhadores sazonais na agricultura tem de solicitá-los em 12 de janeiro. Quem precisa de mão de obra na construção, em 16 de fevereiro.

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“Admite que você abre um canteiro em setembro: significa que você vai para o ano seguinte”, disse Gabanelli. Ela acrescentou que, entre a data do pedido e o momento em que o trabalhador recebe o permesso di soggiorno, podem se passar seis meses. “É um sistema totalmente ineficiente, como se quisesse dizer: não os queremos, mas fingimos fazer algo.”

Polarização política como obstáculo

Gabanelli também apontou a divisão ideológica no parlamento italiano como fator de paralisia. “A política italiana está dividida em duas frentes totalmente opostas e não saem do perímetro ideológico. Há os que têm a mão sempre no coração e os que têm a mão no coldre”, disse ela.

O cenário se agrava, segundo a jornalista, quando se somam outros fatores: uma diferença de quatro pontos percentuais nas políticas fiscais e o avanço da digitalização da administração pública espanhola, que figura entre os mais rápidos da Europa. “No final, você tem uma situação que dói um pouco no coração.”

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