A Itália enfrentará um déficit crítico de mão de obra no setor de cuidados nos próximos três anos. Até 2029, o país precisará de pelo menos 2.211.000 trabalhadores domésticos e cuidadores, conhecido com badante, para evitar o colapso do sistema de bem-estar social.
Os dados constam no relatório “Trabalho Familiar (Rede) 2026”, realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas IDOS a pedido da Assindatcolf. O estudo revela que 69% desses profissionais serão estrangeiros, a maioria vinda de fora da União Europeia.
• Casos afetados pelo decreto
• Atrasos de comune e consulado
• Estratégia jurídica personalizada
A demanda é impulsionada pelo envelhecimento acelerado da população italiana. Até o final de 2026, estima-se que 2,2 milhões de idosos com mais de 65 anos precisarão de assistência, o que representa 14,6% desse grupo demográfico.
O relatório aponta que o mercado de trabalho do setor também está envelhecendo. Em 2024, mais de 11% dos cuidadores e empregados domésticos tinham mais de 65 anos. O fenômeno é mais visível entre as mulheres cuidadoras.
“O número aproximado de 24.000 trabalhadores não pertencentes à UE indica claramente as necessidades familiares previstas para 2029”, afirma Alessandro Lupi, vice-presidente da Assindatcolf, segundo o jornal il Messaggero. Ele defende a inclusão desses dados no planejamento de fluxos migratórios.
Atualmente, as projeções oficiais do governo italiano cobrem apenas até 2028. Sem a garantia de novos profissionais, o sistema de cuidados familiares, considerado um pilar social na Itália, corre o risco de descontinuidade.
Luca Di Sciullo, presidente da IDOS, ressalta que o setor depende massivamente de mão de obra estrangeira feminina. Ele defende uma revisão dos mecanismos de contratação para combater a exploração e a evasão fiscal no setor.
O estudo indica que a necessidade de cuidadores cresce de forma exponencial com a geração baby boom. A expectativa é que a demanda continue subindo por pelo menos mais 15 anos, até que esse segmento atinja idades avançadas.
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Guia prático: trabalhar como badante na Itália
Com o envelhecimento da população, a profissão de badante (cuidador de idosos) é uma das que mais oferece oportunidades imediatas, especialmente para estrangeiros. Confira o que você precisa saber:
Quanto ganha uma badante?
Os salários são regulados pelo Contrato Coletivo Nacional de Trabalho (CCNL) e variam conforme o nível de assistência (se o idoso é autossuficiente ou não) e se o regime é com moradia (convivente) ou apenas por hora.
- Com moradia (convivente): Entre € 900 e € 1.300 líquidos por mês. O empregador oferece quarto e alimentação gratuitos.
- Por hora (não convivente): Entre € 8 e € 12 por hora, dependendo da experiência e da complexidade do caso.
- Benefícios: Além do salário, o trabalhador tem direito ao TFR (fundo de garantia italiano), 13º salário e férias remuneradas.
Onde estão as melhores vagas?
A demanda é alta em todo o país, mas se concentra em regiões com maior poder aquisitivo e populações mais idosas:
- Norte e Centro: Lombardia (Milão), Lazio (Roma), Vêneto (Veneza) e Toscana (Florença) são as regiões com maior número de contratos formais.
- Sul: A demanda existe, mas há uma incidência maior de trabalho informal, o que não é recomendado para fins de imigração legal.
O que é necessário para trabalhar?
- Visto e permissão (Soggiorno): para brasileiros sem cidadania europeia, a entrada legal para trabalho depende das cotas do Decreto Flussi. É necessário que um empregador italiano “chame” o trabalhador através deste decreto.
- Língua italiana: É o requisito mais importante. Para cuidar de um idoso, a comunicação deve ser clara. Nível A2 ou B1 (intermediário) é o mínimo exigido pela maioria das famílias.
- Cursos e certificações: não é obrigatório ter curso de enfermagem, mas possuir uma certificação de OSS (Operatore Socio-Sanitario) ou cursos de Primeiros Socorros aumenta drasticamente o salário e a empregabilidade.
Onde buscar vagas?
Paróquias: na Itália, as igrejas locais (Caritas) são pontos tradicionais de conexão entre famílias e cuidadores.
Agências de trabalho (Agenzie per il Lavoro): Adecco, Randstad, Gi Group e agências especializadas como a Family Care.
Associações: Assindatcolf e sindicatos como o CAF auxiliam na mediação.
Sites especializados: Subito.it, InfoJobs e grupos de Facebook voltados para “Cerco/Offro Lavoro Badante”.







































