A nova terceira camisa do Palmeiras, criada pela Puma para celebrar as raízes italianas do clube, provocou discussão antes mesmo de estrear em campo. O motivo está na frase “Scoppia che la vittória è nostra”, estampada nas costas do uniforme.
Em italiano, “vittoria” é escrita sem acento.
O uniforme seria usado neste domingo (23), contra o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro, mas a CBF informou ao Palmeiras que a camisa não poderia ser utilizada por questões técnicas relacionadas à tecnologia do impedimento semiautomático. A estreia agora está prevista para quarta-feira (26), diante do Santos, pela Copa do Brasil, no dia em que o clube completa 112 anos.
Depois da repercussão sobre a grafia, a Puma afirmou ao GE, portal da Globo, que não houve erro. Segundo a empresa, o acento foi empregado como um “recurso tipográfico” para reforçar a sílaba tônica e facilitar a leitura, com inspiração na forma como dicionários italianos, como o Treccani, indicam a pronúncia das palavras.
A Suprema Corte reafirmou: a cidadania nasce com a pessoa.
- Nova frente jurídica aberta
- Processos ainda podem ser apresentados
- Avaliação individual antes de qualquer decisão
A intenção é compreensível. A justificativa, porém, não se sustenta bem.

Dicionário não determina a grafia de uma frase
O Treccani realmente usa acentos em seus verbetes para indicar pronúncia e tonicidade. Isso ocorre porque se trata de um dicionário.
Não significa que essas marcas façam parte da grafia normal das palavras em textos escritos em italiano.
No caso de “vittoria”, há ainda outro problema. O Treccani apresenta “vittòria”, com acento grave, para indicar a pronúncia aberta do “o”. Na camisa aparece “vittória”, com acento agudo.
Portanto, nem mesmo a notação empregada corresponde exatamente à referência citada pela Puma.
Se era para ajudar o brasileiro, por que apenas “vittoria”?
O argumento de que o acento serviria para facilitar a leitura do brasileiro enfrenta outro problema.
A frase completa é “Scoppia che la vittoria è nostra”.
Para alguém que não conhece italiano, palavras como “scoppia” provavelmente oferecem mais dificuldade de pronúncia e compreensão do que “vittoria”. Mesmo assim, elas foram mantidas conforme a escrita italiana, sem qualquer indicação fonética.
A própria camisa também traz outras expressões italianas, como “Avanti Palestra”, igualmente sem adaptações destinadas ao leitor brasileiro.
Se a lógica fosse indicar a tonicidade das palavras potencialmente desconhecidas para quem fala português, seria necessário aplicar algum critério consistente ao restante do texto.
Isso não aconteceu.
A intenção é boa, a defesa é ruim
O detalhe não tira o mérito do conceito criado para o uniforme.
A Puma e o Palmeiras recorreram ao azul da seleção italiana, à Cruz de Savoia, usada pelo Palestra Italia em 1916, e a elementos ligados à imigração italiana e à história do clube. A campanha foi inclusive produzida em localidades da Itália, como Milão, Bergamo e a região de Gressoney-Saint-Jean.
A decisão da Corte Constitucional mudou o cenário. A nova lei da cidadania agora será analisada pela Justiça da União Europeia.
A intenção de aproximar o torcedor atual das origens italianas do Palmeiras é boa.
Também é perfeitamente possível que o acento tenha sido uma escolha estética deliberada, e não um simples erro de revisão. A própria Puma ressalta que a palavra “vittoria” aparece corretamente, sem acento, em outro ponto do uniforme.
Mas isso demonstra apenas que a alteração foi intencional.
Não transforma “vittória” em italiano correto nem sustenta a explicação de que o acento seria necessário para facilitar a leitura do brasileiro.
A escolha gráfica pode ser defendida como licença de design. A defesa linguística escolhida para justificá-la é que não convence.







































