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Partido de Meloni é acusado de usar ‘diploma de cidadania” como peça eleitoral

FdI usa recém-naturalizados como peça eleitoral e enfrenta acusações na Itália.

Seção local do FdI, partido de Meloni, distribui "diploma de cidadania" e gera polêmica
Seção local do FdI, partido de Meloni, distribui "diploma de cidadania" e gera polêmica

O comitê local do partido Fratelli d’Italia (FdI), na região do Lácio, entregou a recém-naturalizados italianos um “diploma de cidadania” acompanhado de um pequeno frasco decorativo com a bandeira italiana. A iniciativa ocorreu a poucos dias das eleições municipais em em Santa Marinella, e gerou reações imediatas de adversários políticos e lideranças regionais.

O material distribuído trazia o símbolo do FdI e o nome da primeira-ministra Giorgia Meloni. Segundo críticos, os contatos dos recém-naturalizados teriam partido do próprio comitê eleitoral, não de canais institucionais, segundo o portal CivOnline.

“Não é um direito a ser entregue em sede de partido”

Giosuè De Felici, responsável pela organização dos Jovens Democratas da Província de Roma, classificou a iniciativa como “grave, politicamente indecente e institucionalmente inaceitável”. Para ele, “a cidadania italiana não é um prêmio a ser entregue em sede de partido. Não é um gadget eleitoral. É um direito, conquistado muitas vezes após anos de trabalho, estudo, sacrifícios, burocracia e esperas intermináveis”.

De Felici ainda questionou como os dados dos naturalizados chegaram ao comitê: “Quem forneceu os contatos dessas pessoas? Com quais critérios foram chamadas? Foi esclarecido de forma explícita que não se tratava de uma iniciativa institucional?”

A candidata à prefeitura Mariarosaria Rossi também se posicionou. Em nota, seu comitê afirmou que se trata de “um uso político dos direitos por parte do FdI”, acrescentando que “as pessoas não são números” e que a ação “arrisca comprometer a reputação e a credibilidade dos dirigentes locais do partido”.

Patrizio Pacifico, secretário do Partido Democrático de Civitavecchia, cidade vizinha a Santa Marinella, também se manifestou sobre a polêmica. “É correto pedir esclarecimentos: quem promoveu a iniciativa, como as pessoas envolvidas foram contatadas e se foi claramente explicado que não se tratava de um ato institucional. Porque a cidadania italiana não é uma concessão partidária. É a filiação à República. E a República não tem um logotipo eleitoral”, disse Pacifico.

Conselheira regional chama o episódio de “vergonhoso”

Marietta Tidei, conselheira regional pelo partido Italia Viva, foi ainda mais contundente em um vídeo publicado nas redes sociais. “O que está acontecendo em Santa Marinella é simplesmente vergonhoso”, disse ela. “A cidadania italiana não a concede o Fratelli d’Italia, não a concede um vereador e, sobretudo, não se retira em um comitê eleitoral. A cidadania italiana é conferida pelo Presidente da República.”

Até o fechamento desta reportagem, o FdI não havia se pronunciado publicamente sobre as críticas.

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