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Genealogia

Como a inteligência artificial ajuda a achar a origem da sua família na Itália

Ferramentas de IA já leem manuscritos antigos passam a decifrar registros italianos. Veja como usar para reconstruir a história da família.

IA que lê manuscritos antigos: a nova arma de quem busca raízes italianas
IA que lê manuscritos antigos: a nova arma de quem busca raízes italianas

Procurar um antepassado italiano sempre foi um trabalho de paciência: folhear, imagem por imagem, registros manuscritos de duzentos anos. Mas a inteligência artificial está mudando isso. Ferramentas que leem manuscritos já transformam documentos inteiros em texto pesquisável, e essa tecnologia começa a cobrir os registros em italiano.

A novidade interessa direto aos descendentes no Brasil. Com a IA, dá para encontrar uma certidão de nascimento, casamento ou óbito buscando por um nome, um lugar ou até uma testemunha, sem ler página por página. Mas a mesma tecnologia exige cuidado, porque também erra.

A IA que lê manuscritos antigos

A principal virada vem do Full-Text Search da FamilySearch, o maior acervo genealógico gratuito do mundo. Lançada em 2024, a ferramenta usa reconhecimento de escrita à mão para transcrever documentos inteiros, não apenas os nomes e datas que um indexador anotaria. A comunidade genealógica a apelidou de divisor de águas.

Até agora, ela funcionava com registros em inglês, espanhol e português. Ao longo de 2026, a FamilySearch está incluindo novos idiomas, entre eles o italiano. Na prática, coleções que estavam “trancadas” pela barreira da caligrafia e da língua passam a ser pesquisáveis com poucas palavras.

Onde estão os registros italianos

O acervo oficial fica no Portale Antenati, do Ministério da Cultura da Itália, que reúne de graça as imagens dos atos de estado civil. Os documentos começam no início do século XIX, e alguns arquivos chegam ao século XVIII. Só em 2025 foram mais de 7 milhões de novas imagens, e o portal passou de 1,8 milhão de usuários.

O portal foi pensado também para os descendentes no exterior, que podem, nas palavras do Ministério, “acessar fontes oficiais sem precisar ir fisicamente aos arquivos”. A digitalização é feita em parceria com a própria FamilySearch desde 2011.

Há um detalhe que liga tudo. Para achar um registro, é preciso saber o ano e, sobretudo, a comuna de origem. É aqui que a pesquisa do sobrenome ajuda, porque aponta em quais municípios o nome é mais comum e estreita o cerco.

O cuidado que ninguém pode pular

A IA acelera, mas não substitui a conferência. A transcrição automática não é perfeita, então o ideal é sempre abrir a imagem original e corrigir o que a máquina leu. Vale ainda usar variações de grafia na busca e procurar parentes “de lado”, como padrinhos e vizinhos.

O risco maior é outro. Chatbots de IA generativa, quando usados para genealogia, podem inventar nomes, datas e até fontes que nunca existiram. Nenhum resultado de IA vale como prova sem o documento original ao lado. A tecnologia abre portas; quem confirma a história ainda é você.

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