A figura do celebrante laico começa a se firmar na Itália, com formação, certificação e discursos de adeus construídos fora de qualquer liturgia. O profissional conduz casamentos, nascimentos e uniões, mas atua principalmente em funerais. Ele reúne lembranças com amigos e parentes, reconstrói uma biografia e escreve um texto que devolve ao morto a sua singularidade, informou o jornal La Stampa, nesta quinta-feira (17).
O celebrante laico não é padre nem psicólogo. Não promete um além nem trata a dor, apenas constrói um rito. O trabalho parte de conversas com quem conviveu com a pessoa. O profissional faz perguntas, colhe recordações e depois escreve, corta e reescreve. O desafio é narrar alguém que nunca conheceu para um público que conhecia bem o morto, sem santificar e sem manipular.
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Livia Aymonino se diplomou pela FederCelebranti em 2023 e adotou a atividade como novo trabalho. Ela diz preferir os funerais aos casamentos, por serem mais difíceis e por exigirem uma relação mais emotiva com a morte. Segundo ela, é comum ver funerais de pessoas laicas celebrados na igreja, em que quem fala acaba falando de si e não do morto.
Pedir um funeral laico não significa não ter fé. Muitas vezes a família apenas não reconhece mais no rito religioso a linguagem para narrar aquela pessoa, e quer escolher uma música ou uma lembrança. Outras vezes o pedido parte do próprio morto.
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