Comprar uma casa ficou mais caro na Itália, enquanto os salários reais seguem abaixo dos níveis de mais de três décadas atrás. No segundo trimestre de 2026, os preços dos imóveis residenciais subiram 4% em relação ao mesmo período de 2025. Já as remunerações brutas médias dos trabalhadores do setor privado acumulam queda real de 6,6% desde 1990.
O contraste aparece em dados recentes do Istat e do Ufficio parlamentare di bilancio (UPB), órgão independente ligado ao Parlamento italiano, e ajuda a dimensionar a pressão sobre o poder de compra das famílias.
Ao mesmo tempo, a inflação voltou a acelerar. Em agosto de 2026, o índice nacional de preços ao consumidor subiu 3,3% em 12 meses, ante 2,9% em julho. Na comparação mensal, a alta foi de 0,5%, segundo os dados definitivos do Istat.
Inflação chega a 3,3%
A aceleração da inflação em agosto foi puxada principalmente pelos produtos energéticos. Os preços da energia regulada avançaram 18,6% em 12 meses, enquanto os energéticos não regulados subiram 17%.
Os produtos comprados com maior frequência pelas famílias tiveram alta anual de 4,3%. Já o chamado “carrinho de compras”, que reúne alimentos e produtos para cuidados da casa e da pessoa, desacelerou de 1% para 0,9%.
O dado contrasta com a percepção de uma alta generalizada dos alimentos. Segundo o Istat, a inflação do setor alimentar permaneceu moderada em agosto, em torno de 1%.
Preço das casas sobe 4% em um ano
No mercado imobiliário, o índice de preços das habitações aumentou 1,7% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores e 4% na comparação anual.
Os imóveis novos ficaram 5% mais caros em um ano. Entre os imóveis já existentes, a alta foi de 3,7%.
Entre as grandes cidades monitoradas pelo Istat, Turim registrou o maior avanço, de 8,5%. Roma veio em seguida, com alta de 6,4%, enquanto Milão teve aumento de 2,4%.
Regionalmente, a valorização foi mais forte no Centro da Itália, com 5,1%, e no Nordeste, com 4,2%. O Istat observa que o movimento ocorreu em um cenário de estabilidade no volume de transações, depois de cerca de dois anos de expansão do mercado residencial.
Salários reais caem 6,6% desde 1990
O desempenho dos salários no longo prazo segue na direção oposta. Estudo publicado em julho pelo Ufficio parlamentare di bilancio mostra que, entre 1990 e 2026, a remuneração bruta média dos trabalhadores empregados no setor privado caiu 6,6% em termos reais, isto é, depois de descontada a inflação.
O recuo foi mais concentrado na parte inferior da distribuição salarial. O UPB também aponta aumento da desigualdade das remunerações ao longo do período, associado à expansão do trabalho em tempo parcial e à maior segmentação do mercado por setor, tipo de contrato e qualificação profissional.
A análise utiliza dados administrativos do INPS e se refere especificamente aos trabalhadores empregados no setor privado. Por isso, o percentual não deve ser interpretado como uma queda uniforme de todos os salários existentes na economia italiana.
Poder de compra sob pressão
A combinação de imóveis mais caros, inflação ainda elevada e salários reais estagnados ajuda a explicar a dificuldade de acesso à moradia e a perda de poder de compra registrada por parte das famílias italianas.
Os indicadores medem fenômenos diferentes e não permitem concluir que a alta recente dos imóveis seja causada diretamente pela evolução dos salários. Juntos, porém, mostram como despesas importantes avançaram mais rapidamente do que a remuneração real de muitos trabalhadores ao longo das últimas décadas.
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