Morar sozinho nas principais cidades da Itália tornou-se um desafio cada vez maior para quem depende de um salário médio. Em Milão, uma pessoa precisaria receber quase € 2,8 mil líquidos por mês para que o aluguel de um imóvel de 40 metros quadrados não ultrapassasse um terço de sua renda.
A estimativa aparece em um levantamento divulgado pela Will Media, elaborado com dados do Numbeo e do portal Immobiliare.it. O cálculo considera como referência a regra segundo a qual os gastos com aluguel não deveriam superar aproximadamente 33% da renda mensal.
Essa proporção é uma referência de planejamento financeiro, e não um limite oficial estabelecido pela legislação italiana.
Segundo o levantamento divulgado nas redes sociais, um imóvel de 40 m² custaria em média € 932 por mês em Milão. Para que essa despesa correspondesse a no máximo um terço do salário, seria necessária uma renda líquida mensal de € 2.796.
O salário líquido médio utilizado na comparação é de € 1.933. A diferença entre os dois valores chega, portanto, a € 863 mensais.
Os dados salariais atribuídos ao Numbeo devem ser lidos com cautela. A plataforma reúne informações enviadas por usuários e não equivale a uma estatística oficial sobre remunerações na Itália.
Florença e Roma também pressionam o orçamento
Florença aparece logo atrás. No levantamento, o aluguel de uma residência de 40 m² é estimado em € 892 mensais. Pela regra de um terço da renda, seria necessário ganhar € 2.676 líquidos por mês, contra um salário médio considerado de € 1.800.
Em Roma, o custo calculado para os mesmos 40 m² é de € 792. Nesse cenário, a renda necessária chegaria a € 2.376 mensais, enquanto o salário médio usado na comparação é de € 1.745.
Bolonha apresenta uma distância menor, mas ainda relevante. O levantamento calcula aluguel de € 700 e renda necessária de € 2.100, diante de um salário médio líquido de € 1.908.
| Cidade | Salário líquido usado no levantamento | Aluguel de 40 m² | Renda para aluguel = 1/3 do salário |
|---|---|---|---|
| Milão | € 1.933 | € 932 | € 2.796 |
| Florença | € 1.800 | € 892 | € 2.676 |
| Roma | € 1.745 | € 792 | € 2.376 |
| Bolonha | € 1.908 | € 700 | € 2.100 |
| Nápoles | € 1.651 | € 624 | € 1.872 |
| Turim | € 1.750 | € 520 | € 1.560 |
| Palermo | € 1.348 | € 400 | € 1.200 |
| Gênova | € 1.897 | € 400 | € 1.200 |
Dados mais recentes mantêm Milão no topo
Os valores publicados pela Will Media refletem períodos específicos das bases utilizadas. Dados mais recentes do Immobiliare.it, referentes a agosto de 2026, mostram algumas variações, mas preservam a mesma diferença entre as cidades.
Em Milão, o preço médio pedido para aluguel residencial era de € 22,55 por metro quadrado por mês. Um imóvel de 40 m² custaria, pela média simples, cerca de € 902 mensais. Para manter esse valor dentro de um terço da renda, seriam necessários aproximadamente € 2.706 líquidos.
Florença registrava € 21,70 por m², o equivalente a cerca de € 868 para 40 m². Roma estava em € 19,31 por m², ou aproximadamente € 772.
Em Bolonha, o valor médio era de € 16,59 por m²; em Nápoles, € 14,88; em Turim, € 12,98; em Gênova, € 11,10; e em Palermo, € 9,70.
Isso significa que, pelos preços médios pedidos em agosto, um imóvel de 40 m² corresponderia a aproximadamente € 664 em Bolonha, € 595 em Nápoles, € 519 em Turim, € 444 em Gênova e € 388 em Palermo.
Os valores são médias de anúncios e não significam que todos os imóveis dessas dimensões sejam encontrados pelos mesmos preços. Bairro, estado de conservação, mobiliário e localização podem alterar significativamente o aluguel.
Moradia pesa mais nas cidades caras
O problema fica mais evidente quando o custo da habitação é comparado à renda disponível.
O Numbeo coloca Milão entre as cidades italianas com maior custo de vida e maior peso dos aluguéis. Florença, Bolonha e Roma também aparecem entre os centros urbanos mais caros do país.
No conjunto da Itália, a plataforma calculava em setembro de 2026 uma renda líquida média mensal de € 1.686,15. Mais uma vez, trata-se de uma base colaborativa, não de uma estatística salarial oficial.
Os números ajudam a explicar por que dividir apartamento, morar fora das áreas centrais ou permanecer por mais tempo na casa dos pais se tornaram alternativas frequentes para jovens trabalhadores nas maiores cidades italianas.
O levantamento também mostra uma particularidade importante: em cidades como Palermo e Gênova, o aluguel médio de um imóvel pequeno pode ficar abaixo de um terço da renda considerada na comparação. Isso não significa, porém, que toda a população dessas cidades consiga alugar sem dificuldade. Médias salariais escondem grandes diferenças entre profissões, idade, tipo de contrato e situação familiar.
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