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O ‘termômetro’ do Decreto Tajani: Suprema Corte define destino do direito de sangue na Itália

Entenda como julgamento na Suprema Corte pode limitar efeitos do Decreto Tajani sobre cidadania italiana.

Suprema Corte da Itália julga caso estratégico que pode anular lógica do Decreto Tajani
Suprema Corte da Itália julga caso estratégico que pode anular lógica do Decreto Tajani.

A Suprema Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana, realizou na última terça-feira (14), em Roma, uma audiência sobre a interpretação da lei de 1912 que define quem é considerado cidadão italiano por nascimento. A decisão, que pode impactar diretamente as regras atuais da cidadania por direito de sangue, deve ser divulgada em até dois meses.

Embora o caso analisado não trate diretamente do Decreto Tajani, que limitou o direito de reconhecimento da cidadania italiana o julgamento é visto como estratégico por juristas. O tema central envolve a possibilidade de perda da cidadania italiana por menores, o que se conecta ao debate mais amplo sobre direitos adquiridos desde o nascimento.

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Segundo o advogado Luigi Minari, o processo discutido foi iniciado antes da nova legislação. “A audiência não abordou diretamente a aplicação do Decreto Tajani, pois o processo é anterior à nova lei”, explicou.

Ainda assim, ele destacou a relevância do julgamento para o cenário atual. “O ponto central era saber se a naturalização do pai italiano leva à perda da cidadania do filho menor já nascido italiano”, afirmou em entrevista ao Italianismo.

Para Minari, a conexão com o decreto está no princípio jurídico envolvido. “O cerne é o mesmo: definir se a cidadania, conferida pelo nascimento, pode ser perdida”, disse.

Impacto sobre o Decreto Tajani

A interpretação da Corte pode ter efeitos indiretos sobre o decreto que restringiu a cidadania italiana.

Segundo Minari, uma decisão favorável aos descendentes reforça a tese de que o direito é originário. “Se a Cassação decidir que o menor não perde a cidadania, reforça que se trata de um direito originário e ininterrupto”, afirmou.

Esse entendimento enfraquece a lógica do Decreto Tajani, que tenta limitar a transmissão da cidadania.

Disputa jurídica: retroatividade

No centro do debate está a possibilidade de aplicação retroativa das novas regras.

Pela legislação italiana, leis não devem retroagir, salvo exceções específicas. A defesa sustenta que o decreto introduziu novas exigências e não pode atingir direitos já consolidados.

Outro argumento envolve a chamada confiança legítima. Processos iniciados com base na legislação anterior não poderiam ser alterados por mudanças posteriores.

Papel da Corte de Cassação

Advogados consultados pelo Italianismo apontam que a Corte de Cassação tem papel decisivo na definição da interpretação da lei.

Enquanto a Corte Constitucional analisa a validade das normas, a Cassação define como elas devem ser aplicadas nos casos concretos.

“Mais do que uma decisão isolada, o julgamento será um indicador claro para a Corte Constitucional”, afirmou Minari.

Segundo ele, há um diálogo entre as instâncias superiores. “A Corte Constitucional não decide no vazio. Ela se baseia também na jurisprudência da Cassação”, disse.

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Sinalização para a Corte Constitucional

A decisão da Cassação pode influenciar diretamente os próximos julgamentos sobre o tema. “Se a Cassação confirmar que a cidadania nasce com o indivíduo e não pode ser perdida, isso será um sinal importante”, afirmou o advogado.

Ele ressaltou que a Corte Constitucional costuma aguardar o amadurecimento do tema nas instâncias inferiores antes de decidir. “A questão precisa amadurecer no Judiciário antes de chegar à Corte Constitucional”, explicou.

O tema voltará a ser discutido no dia 9 de junho, quando a Corte Constitucional analisará ações sobre a validade do decreto.

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