O vice-premier e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, defendeu nesta quinta-feira (21) uma tese simples: se os italianos tiverem mais filhos, o país poderá reduzir a entrada de trabalhadores estrangeiros. O problema é que os dados populacionais do próprio país sugerem que essa conta tem um prazo de validade de pelo menos duas décadas, e a indústria italiana não pode esperar tanto.
“Se tivermos mais filhos, poderemos reduzir o número de migrantes legais que vêm trabalhar em nossas empresas. Caso contrário, não teremos trabalhadores”, declarou Tajani em evento sobre economia. A frase soou razoável no microfone. Menos razoável quando confrontada com a pirâmide etária de 2026.
O que os números dizem
A Itália tem hoje 58,9 milhões de habitantes. A maior fatia da população, segundo dados do PopulationPyramid.net referentes a 2026, está concentrada nas faixas de 50 a 64 anos. As faixas de 5 a 29 anos, que formarão a força de trabalho nas próximas décadas, são proporcionalmente menores.
Em outras palavras: a maior parte dos italianos já passou da fase em que se formam famílias com filhos pequenos. O país é um dos mais envelhecidos do mundo. Qualquer bebê nascido hoje só chegaria ao mercado de trabalho entre 2046 e 2051.
A lacuna que ninguém fecha
Tajani também reconheceu o problema, ainda que sem nomear a contradição. “Quanto menor a taxa de natalidade, maior será a necessidade de trabalhadores estrangeiros em nossas empresas”, afirmou o chanceler. E completou: “Com tudo o que isso acarreta, como integração e os riscos da imigração ilegal”.
O ministro não apresentou nenhuma medida concreta de incentivo à natalidade nem um prazo para que a estratégia produzisse efeitos. A proposta, por ora, é uma aposta no futuro distante de um país com pressa no presente.






































