A cidade de Modena escapou por pouco de uma tragédia no sábado, 16 de maio, após um motorista atropelar oito pessoas na entrada do centro histórico da cidade. O episódio reacendeu o debate sobre segurança e imigração na Itália e levou o jornal italiano Today a questionar quais mudanças concretas o governo de Giorgia Meloni realmente promoveu nas regras de cidadania.
Segundo relatos divulgados pela imprensa italiana e internacional, o ataque aconteceu por volta das 16h30, em uma área movimentada próxima à catedral de Modena. Um Citroën avançou em alta velocidade contra ciclistas e pedestres antes de parar na vitrine de uma loja. O caso recolocou a segurança pública no centro do debate político italiano.
Na análise publicada pelo Today, porém, o jornal afirma que a principal medida efetivamente aprovada pelo governo Meloni não teve foco em imigração ilegal ou criminalidade urbana. Segundo a publicação, a única mudança concreta de grande impacto atingiu justamente os ítalo-descendentes que buscam reconhecimento da cidadania italiana no exterior.
O texto destaca que o decreto mais relevante foi assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e aprovado definitivamente pelo Parlamento italiano em maio de 2025. A medida endureceu as regras para reconhecimento da cidadania italiana por descendência, especialmente para famílias da América do Sul.
De acordo com o jornal, o governo justificou a mudança como forma de combater o chamado “mercado de passaportes” e reforçar a exigência de vínculo efetivo com a Itália. As novas regras passaram a limitar o reconhecimento automático da cidadania a apenas duas gerações nascidas fora do território italiano.
O Today também observa que, apesar do discurso frequente da coalizão de direita sobre endurecimento das políticas migratórias, outras propostas mais amplas continuam travadas no Parlamento devido às divergências entre a Liga e o Forza Italia.
Enquanto o Forza Italia, de Tajani, defende projetos para facilitar a cidadania de estrangeiros escolarizados na Itália, a Liga de Matteo Salvini insiste em propostas mais rígidas, como exames obrigatórios de integração, ampliação do tempo mínimo de residência e novas hipóteses para revogação da cidadania. Até agora, porém, essas iniciativas não avançaram.
Na avaliação do jornal, o resultado prático da atual legislatura é que o endurecimento aprovado até o momento atingiu principalmente os descendentes de italianos no exterior.







































