A falta de combustível de aviação na Europa aumenta a incerteza sobre voos para a Itália no verão de 2026. Companhias aéreas evitam prever a situação para além de meados de maio.
O problema ocorre em meio ao fechamento intermitente do Estreito de Hormuz, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. A rota concentra cerca de 20% do transporte mundial de petróleo.
O diretor da Associação Internacional de Transporte Aéreo, Willie Walsh, afirmou que a Europa pode começar a registrar cancelamentos “até o fim de maio” por falta de combustível.
Situação na Itália
A Itália é considerada mais vulnerável que outros países da União Europeia por depender mais da importação de gás e combustíveis.
No início de abril, a Air BP Italia limitou o fornecimento em Bologna, Milão Linate, Treviso e Veneza. Brindisi, Reggio Calabria e Pescara chegaram a ficar sem combustível.
Nenhum voo foi cancelado diretamente naquele momento. Os principais aeroportos internacionais do país, Roma Fiumicino e Milão Malpensa, não foram afetados.
A autoridade italiana de aviação civil, Enac, inicialmente classificou a situação como “contingente e marginal”. Depois, o presidente do órgão, Pierluigi Di Palma, disse que o cenário era “bastante crítico”.
“Jamais vivemos uma situação semelhante”, afirmou Di Palma à televisão italiana.
Risco de cancelamentos e alta de preços
O impacto não depende apenas da quantidade disponível de combustível. Companhias que não protegeram preços com contratos antecipados ficam mais expostas à alta dos custos.
Rotas menos lucrativas, principalmente para aeroportos menores, podem ser as primeiras afetadas.
O grupo Lufthansa anunciou o cancelamento de 20 mil voos de curta distância até outubro. Roma foi citada entre os centros onde os cortes serão concentrados.
A Ryanair, maior companhia em operação na Itália, afirmou que o fornecimento está garantido apenas até o fim de maio.
“Ninguém sabe o que vai acontecer. No momento, o que parece claro é que, se a guerra acabar no fim de abril ou no começo de maio, não haverá problemas com o fornecimento de combustível durante o verão, mas se continuar, não sabemos”, disse Michael O’Leary à imprensa italiana.
A Wizz Air informou ter enfrentado falta de combustível em Veneza, Brindisi e Catania. Segundo a companhia, os problemas foram resolvidos “em poucas horas”, sem cancelamentos.
Direitos dos passageiros
As regras da União Europeia protegem passageiros de voos que partem de países do bloco, como a Itália, ou operados por companhias sediadas na UE.
As empresas podem alterar horários sem pagar compensação se oferecerem alternativas com mais de duas semanas de antecedência.
Se o cancelamento ocorrer com menos de 14 dias de aviso, o passageiro pode ter direito a compensação. Em cancelamentos de última hora, também pode haver direito a alimentação e hospedagem.
O ponto central será saber se as companhias poderão classificar a falta física de combustível causada pelo conflito no Irã como “circunstância extraordinária”. Nesse caso, elas podem ficar isentas de compensação.
A Comissão Europeia informou que aumento de preço, por si só, não basta. Apenas a falta física de combustível pode atender a esse critério.






































