A final da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha, neste domingo (19), mexe de forma especial com o Piemonte. Reportagem da Rai TGR Piemonte lembra que mais de 800.000 pessoas deixaram a região rumo à Argentina após a Unificação Italiana.

Hoje, o movimento se inverteu. Turim abriga oficialmente mais de 5.000 argentinos, número que cresce bastante quando se contam os que já obtiveram a cidadania italiana e aparecem nas estatísticas como italianos.
Por que o Piemonte emigrou
Segundo a reportagem, a modernização da agricultura e o crescimento populacional geraram uma “fome de terra” que empurrou os piemonteses para fora da Itália no fim do século 19.
“sso coincidiu com a abertura do governo argentino à emigração da Europa”, explica José Luis Minati, ex-pesquisador e enólogo da Universidade de Turim e tesoureiro da Associação Argentino-Italiana Piemonte.
Na chamada Pampa Gringa, entre Córdoba, Rosário, Santa Fé e Entre Ríos, os piemonteses viraram criadores de gado e produtores de cereais. Perto dos Andes, na região de Mendoza, dedicaram-se à viticultura. Sobrenomes como Gancia e Bosco seguem comuns por lá.
O movimento de retorno
O caminho inverso começou com os exilados da ditadura argentina e ganhou força com a migração econômica dos anos 1980, que cresce até hoje.
“Nos anos 1980 chegavam famílias e pessoas de mais idade. Hoje, da Argentina, chegam sobretudo jovens”, conta Minati. Segundo ele, a nova geração se concentra mais na integração e no mercado de trabalho do que na vida comunitária entre conterrâneos.
Espanha, guerras e chocolate
A relação do Piemonte com a Espanha também vem de longe. Dois séculos de guerras, com os espanhóis ora aliados, ora inimigos da Casa de Saboia, deixaram uma herança doce: o chocolate, introduzido em Turim no século 16, segundo a tradição, pela duquesa espanhola Catarina Micaela de Áustria.
Na cidade, a torcida se divide. Há quem apoie a Argentina em memória de um parente emigrado ou por admiração a Messi e Maradona, e quem fique com os “primos” espanhóis. Um detalhe pesa no coração italiano: o quarto título permitiria à Argentina alcançar a Itália, a grande ausente, no ranking de campeãs mundiais.
O que é a Pampa Gringa?
Nome dado à faixa agrícola ao norte de Buenos Aires, entre Córdoba, Rosário, Santa Fé e Entre Ríos, colonizada em massa por imigrantes europeus no fim do século 19. “Gringo” era como os argentinos chamavam os estrangeiros, sobretudo os italianos, que transformaram a região em polo de pecuária e cereais.
(Com informações da Rai TGR Piemonte)





































