A conta da “aventura” militar do governo de Donald Trump no Oriente Médio chegou para a União Europeia.
O bloco avalia implementar medidas drásticas de restrição de consumo que lembram o período da pandemia de Covid-19. O conceito de “lockdown energético” ganha força nos bastidores de Bruxelas como resposta direta ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
O comissário de Energia da UE, Dan Jørgensen, enviou uma carta aos governos sugerindo a redução do uso de transportes. A medida visa preservar estoques de diesel e combustível de aviação, que atingiram preços recordes.
O plano inclui ferramentas que remetem à crise do petróleo de 1973. Entre as propostas estão os “domingos sem carros” e o racionamento de gasolina para evitar o colapso do sistema.
“Pior que a pandemia”
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, alertou que o impacto econômico atual está no caminho para rivalizar com o que o continente “experimentou recentemente durante a pandemia de Covid ou no início da guerra da Ucrânia“.
O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, reforçou a gravidade da situação em entrevista ao jornal La Repubblica. “Sou forçado a saber coisas que não me deixam dormir”, afirmou o ministro sobre as consequências da guerra.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou que os efeitos a longo prazo são “provavelmente além do que podemos imaginar no momento”.
Impacto na aviação e indústria
O setor aéreo já sente os efeitos imediatos. O grupo Lufthansa discute a pausa temporária de “entre 20 e 40 de seus aviões” devido à crise do combustível de aviação.
“Não há como a indústria absorver esse aumento, então os preços subirão”, declarou Willie Walsh, diretor-geral da associação de companhias aéreas IATA.
Se o conflito persistir, especialistas alertam que os cidadãos europeus enfrentarão “lockdowns de energia” que podem limitar viagens de férias e o funcionamento de indústrias essenciais.
O custo da tensão no Golfo
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã mergulhou o continente em uma crise de abastecimento sem precedentes. O presidente dos Estados Unidos manifestou-se de forma direta sobre a escassez de combustível enfrentada pelos aliados europeus. “Vocês terão que começar a aprender a lutar por si mesmos”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social. “Vão buscar seu próprio petróleo!”, completou.
A postura agressiva de Washington ocorre porque os países europeus se opõem a ajudar os Estados Unidos na guerra. Essa resistência em oferecer apoio militar direto resultou em um isolamento diplomático da Europa, que agora precisa lidar sozinha com um choque de oferta que ameaça paralisar indústrias e o setor de transportes em todo o bloco.
A conta da aventura militarista do governo de Donald Trump no Oriente Médio chegou para a União Europeia sob a forma de desabastecimento e preços recordes. Sem o suporte dos EUA e com as rotas marítimas bloqueadas, o continente se vê forçado a gerenciar uma crise que lideranças já classificam como superior aos impactos da pandemia.



























































