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Politica italiana

Brasil e Argentina oficializam união inédita em defesa da comunidade italiana

Lideranças oficializam aliança política para defender direitos e ampliar a representação dos italianos no exterior.

Marcelo de Carvalho Fragali, Eugenio Sangregorio e Luis Roberto Lorenzato durante encontro em Buenos Aires que oficializou articulação entre Brasil e Argentina.
Marcelo de Carvalho Fragali, Eugenio Sangregorio e Luis Roberto Lorenzato durante encontro em Buenos Aires que oficializou articulação entre Brasil e Argentina.

As duas maiores comunidades italianas fora da Itália decidiram atuar de forma conjunta para defender direitos dos descendentes. A articulação reúne Brasil e Argentina em uma estratégia comum após anos de atuação separada.

A coordenação ocorre dentro da União Sul-Americana dos Imigrantes Italianos (USEI). A estrutura foi oficializada na última quinta-feira, dia 9, em Buenos Aires, na Argentina.

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O partido, de centro-direita, é presidido por Eugenio Sangregorio. O empresário e apresentador de TV Marcelo de Carvalho Fragali assume a vice-presidência. O ex-deputado e empresário Luis Roberto Lorenzato, (ex- Lega, de Matteo Salvini) ficará responsável pela coordenação-geral de campanha.

Fim da fragmentação política

Marcelo de Carvalho afirma que a falta de articulação entre os países contribuiu para perdas recentes. “O movimento nasce do fato de que as duas maiores comunidades italianas fora da Itália estão no Brasil e na Argentina. Juntas, somamos cerca de 50 milhões de ítalo-descendentes, mas, historicamente, essas comunidades atuavam de forma totalmente separada e desorganizada. A Argentina elegendo seus representantes, o Brasil os seus, sem nenhuma coordenação estratégica comum”, disse ao Italianismo.

Ele diz que a prioridade é reverter medidas que atingiram o princípio do ius sanguinis. “Diante do ataque a nossos direitos, ficou evidente a necessidade de uma articulação para unificar Brasil e Argentina em torno de uma pauta comum. Criar uma estrutura de atuação coordenada, com liderança e estratégia”, explica.

Resistência ao Decreto Tajani

A articulação surge como resposta a iniciativas em Roma que limitaram o direito de sangue. Luis Roberto Lorenzato afirma que pressões internas no governo italiano não são recentes.

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“A Farnesina tentou aprovar as mesmas cláusulas do Decreto Tajani ainda em 2019. Na época, consegui interceptar o texto e retirar termos que prejudicariam os descendentes”, relata o ex-deputado.

Eugenio Sangregorio e Luis Roberto Lorenzato
Eugenio Sangregorio e Luis Roberto Lorenzato

Lorenzato também critica a condução atual da política externa italiana. “Dizem que a lei italiana é única no mundo, o que é mentira. Todos os países da União Europeia seguem o direito de sangue. O problema é que a Itália não percebeu a potência que tem no exterior. Por isso, essa nossa união não é simbólica, é decisiva”, afirma.

Estratégia além do jurídico

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O grupo pretende ampliar a atuação para além da defesa legal. A proposta inclui fortalecer relações econômicas entre a Itália e sua diáspora.

Marcelo de Carvalho afirma que a burocracia italiana limita investimentos. “O futuro que defendemos não é apenas jurídico. É econômico, institucional e estratégico. Precisamos de mecanismos de ‘fast track’ e acesso ao sistema financeiro para os ítalo-descendentes”, diz.

“Estamos falando de construir um novo ciclo de relação entre a Itália e a diáspora, com foco na atração de investimentos. Por exemplo, somente nos Estados Unidos há mais de 1 trilhão de reais (200 bilhões de dólares) em investimentos brasileiros, enquanto na Itália esse volume é insignificante. Por que não na Itália? Devido à burocracia absurda”, disse.

A união entre o movimento Nazione Popolo Italico e o partido USEI reúne uma base de 2,5 milhões de cidadãos inscritos no AIRE.

“A política funciona com base em pesos e contrapesos. Sempre que um direito é retirado, isso ocorre porque não houve força suficiente para impedir. E, no caso dos ítalo-descendentes, o problema central é evidente: a total falta de representação efetiva no Parlamento italiano”, diz Marcelo de Carvalho.

Segundo ele, os atuais representantes não tem acesso ou qualquer influência nas decisões centrais do governo italiano. “E política não se resolve com eventos, debates ou manifestações simbólicas. Política se resolve com capacidade de bloquear iniciativas prejudiciais, capacidade de impulsionar medidas favoráveis e presença efetiva nos centros de decisão. Por isso, essa nossa frente de união não é simbólica, é decisiva”, conclui Fragali.

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Carlos Roberto Frisoli

    Somando todos não consigo confiar em nenhum deles. São como os demais politicos brasileiros, somem após das eleições e começam a aparecer e fazer propaganda enganosa pouco antes da proxima eleição. Não respondem emails ou atendem os eleitores da américa do sul. Enganadores e mentirosos. Espero que na proxima eleição nós eleitores desta região não os reelejamos mais.

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