A economia italiana não decola, os problemas políticos se acumulam e Giorgia Meloni segue no poder. Apesar das dificuldades, a primeira-ministra consegue manter unida a coalizão que governa o país. E há um detalhe que ajuda a entender por que nem todos no Parlamento têm pressa de voltar às urnas: a aposentadoria dos políticos, conhecida na Itália como vitalizio.
Para muitos deputados e senadores, completar a atual legislatura pode fazer diferença no bolso. Uma eleição antecipada, dependendo de quando ocorrer, poderia impedir que parte deles alcançasse o tempo mínimo necessário para garantir o benefício.
A data que está no radar desses parlamentares é 14 de abril de 2027.
Segundo levantamento publicado nesta quinta-feira (8) pelo jornal Corriere della Sera, 184 deputados e 81 senadores poderão atingir nessa data o tempo exigido para adquirir o direito à aposentadoria parlamentar.
Ao todo, são 265 políticos, quase metade dos integrantes das duas casas do Parlamento.
O “vitalizio” também pesa na política
A atual legislatura começou em 13 de outubro de 2022. Pelas regras italianas, deputados e senadores precisam completar cinco anos de mandato para ter direito à aposentadoria.
Mas existe uma particularidade: uma fração superior a seis meses conta como um ano inteiro. Na prática, o tempo mínimo pode ser alcançado após quatro anos, seis meses e um dia.
Isso não significa que o parlamentar passe a receber o dinheiro imediatamente. Em regra, é preciso ter 65 anos e já não estar exercendo o mandato.
O benefício também não é exatamente o mesmo de antigamente. O tradicional vitalizio, que ficou conhecido pelos privilégios concedidos à classe política italiana, foi substituído em 2012 por um sistema baseado nas contribuições dos próprios parlamentares.
O nome, porém, continua vivo no vocabulário político italiano.
E, com as especulações sobre uma possível antecipação das eleições, voltou a ganhar importância.
O assunto interessa especialmente aos parlamentares que chegaram a Roma pela primeira vez em 2022. No Fratelli d’Italia, partido de Meloni, 66% dos integrantes estão no primeiro mandato, segundo levantamento divulgado pela Sky TG24.
A situação não é exclusiva dos governistas. O Partido Democrático, o Movimento 5 Estrelas e outras legendas também têm representantes que ainda precisam completar o período necessário para assegurar a aposentadoria.
É mais um elemento no jogo político. Não significa que esses deputados e senadores apoiem Meloni apenas para garantir o benefício, mas ajuda a entender por que uma crise capaz de encurtar a legislatura pode não ser interessante para todos.
Há ainda um detalhe importante. Na Itália, a dissolução do Parlamento não encerra imediatamente o mandato dos deputados e senadores. Pela Constituição, eles permanecem em funções até a instalação das novas câmaras.
Por isso, dissolver o Parlamento antes de 14 de abril de 2027 não significaria, necessariamente, impedir que esses políticos adquirissem o direito à aposentadoria.
Economia ainda não ajuda Meloni
Enquanto o calendário da aposentadoria interessa aos parlamentares, o desempenho da economia continua sendo uma preocupação para o governo.
A Itália segue crescendo em ritmo lento.
Segundo o Istat, instituto nacional de estatística, o Produto Interno Bruto avançou apenas 0,2% no segundo trimestre de 2026, em comparação com os três meses anteriores. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 1%.
A inflação também pesa no orçamento das famílias. Em setembro, os preços ao consumidor subiram 4,2% na comparação anual, de acordo com as estimativas preliminares do instituto.
Energia e alimentação estão entre os itens que pressionam o custo de vida.
As perspectivas econômicas tampouco são animadoras. O próprio governo prevê crescimento de 1% neste ano e de apenas 0,8% em 2027.
Com uma dívida pública elevada e pouco espaço no orçamento, Meloni tem dificuldades para oferecer respostas mais expressivas às cobranças da população.
Derrotas políticas, mas nenhuma ameaça imediata ao governo
Na política, o cenário também está longe de ser tranquilo.
Em março, Meloni sofreu uma derrota importante quando os italianos rejeitaram, em referendo, a reforma constitucional do Judiciário defendida por seu governo.
Quase 54% dos eleitores votaram contra a proposta.
O resultado foi um golpe político para a primeira-ministra e deu novo fôlego à oposição. Ainda assim, não chegou a ameaçar a maioria que sustenta o governo no Parlamento.
As dificuldades também apareceram nas negociações da reforma eleitoral. Divergências entre os próprios aliados provocaram derrotas pontuais e expuseram tensões dentro da coalizão.
Nesta quinta-feira (8), porém, Meloni conseguiu virar o jogo.
A Câmara dos Deputados aprovou definitivamente a nova legislação eleitoral por 227 votos a 164, em votação secreta.
A reforma estabelece um sistema proporcional e prevê um prêmio de cadeiras para as alianças que ultrapassarem 42% dos votos.
O governo argumenta que as mudanças ajudarão a garantir maior estabilidade política. A oposição vê na reforma uma tentativa de criar condições mais favoráveis para a permanência da direita no poder.
A votação mostrou que, apesar das brigas e diferenças internas, Fratelli d’Italia, Liga e Forza Italia ainda conseguem se entender quando há interesses importantes em jogo.
Até 2027, cada um tem seus motivos para evitar uma crise
Meloni já sinalizou que pretende chegar ao fim da legislatura, previsto para outubro de 2027.
O caminho, porém, não será simples. A primeira-ministra terá de lidar com a economia fraca, manter os aliados próximos e enfrentar uma oposição que tenta encontrar uma estratégia comum para as próximas eleições.
Ao mesmo tempo, existe um fator que pode jogar a favor da continuidade do governo, mesmo sem ter relação direta com sua popularidade.
Para centenas de deputados e senadores, completar o tempo mínimo de mandato significa assegurar um direito previdenciário que poderá render uma aposentadoria no futuro.
É um interesse que não distingue direita, esquerda ou centro.
Isso não garante que Meloni ficará no poder até o fim da legislatura. Mas ajuda a explicar por que uma eventual crise política pode encontrar resistência até entre parlamentares que fazem oposição ao governo.
No fim das contas, a primeira-ministra continua enfrentando dificuldades para fazer a economia avançar e recuperar o apoio perdido nas urnas.
Mas, enquanto tenta manter a coalizão de pé, conta com uma circunstância que não depende apenas dela: para parte dos políticos italianos, esperar até abril de 2027 pode ser mais vantajoso do que provocar uma eleição antes da hora.
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tutti sano chi in`Italia chi sono sedie vitalizie nel senado. Dopo la costituzione nuova chi ha vietato il fascismo il rolo compressore del protofascismo sono maggioranza per le cambiare
La costituzione, e no <> scusi cittadino.