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Belluno quer consórcio de municípios para reformar lei da cidadania italiana

Vereadores de Belluno pedem união de municípios para pressionar por mudanças na lei da cidadania italiana por descendência

Cidadania italiana: Belluno quer ação conjunta contra “abusos” de descendentes | Foto: Thomas Radice/Wikipedia
Cidadania italiana: Belluno quer ação conjunta contra “abusos” de descendentes | Foto: Thomas Radice/Wikipedia

Um grupo de vereadores de Belluno propôs a criação de um consórcio entre municípios da província para pressionar o governo italiano por mudanças na lei da cidadania por descendência. A proposta será debatida em 31 de março, durante sessão do conselho municipal.

A iniciativa parte dos vereadores Anna Candeago, Giangiacomo Nicolini, Marco Perale, Ilenia Bavasso, Riccardo Samaria e Jacopo Massaro. Eles solicitam que o prefeito de Belluno, Oscar De Pellegrin, lidere a articulação com outras prefeituras.

O grupo alega que os escritórios locais estão sobrecarregados com pedidos de cidadania iure sanguinis – direito de sangue – feitos por descendentes, sobretudo brasileiros.

Segundo o documento, a estrutura atual é insuficiente. Mesmo com a cobrança de taxas administrativas, que variam entre 300 e 600 euros, a falta de pessoal dificulta o andamento dos processos.

Pressão por mudanças na lei

Os vereadores também querem que o prefeito interceda junto ao governo para revogar uma circular do Ministério do Interior que, segundo eles, gera incertezas sobre a verificação de residência habitual dos requerentes.

Além disso, propõem que a ordem do dia seja enviada a outros municípios, à Província de Belluno (69 municípios), à Anci Veneto e à Região do Vêneto. O objetivo é formar uma frente ampla para pressionar por mudanças na lei 91/1992.

Uma das propostas é a criação de um limite geracional para o reconhecimento da cidadania, restringindo a transmissão aos descendentes mais próximos. Também sugerem a exclusão, do quórum eleitoral municipal, de eleitores no exterior que não votam.

Prefeito de Zoldo apoia a medida

Camillo De Pellegrin, prefeito de Val di Zoldo e ativista da revisão da cidadania por descendência, elogiou a proposta. “Parabéns ao município de Belluno. Essa é uma ação necessária num momento crucial”, afirmou.

Para De Pellegrin, o atual modelo transformou a cidadania italiana em um “produto de mercado”. Ele defende uma reforma urgente para evitar abusos e garantir que o vínculo com a Itália seja autêntico.

“A cidadania é um valor, não um bem negociável. Precisamos proteger o significado real desse direito”, concluiu.

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